Presidente colombiano deseja acordo de paz dentro de nove meses; primeira fase de diálogo ocorreu na Noruega em outubro

Reuters

O governo da Colômbia e a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se sentam à mesa nesta segunda-feira, em Havana, para retomar sua primeira negociação de paz em dez anos.

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Humberto de la Calle, principal negociador da Colômbia, fala antes de embarcar para Cuba para diálogo com Farc (18/11)
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Humberto de la Calle, principal negociador da Colômbia, fala antes de embarcar para Cuba para diálogo com Farc (18/11)

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O conflito se arrasta há quase meio século e, resistindo a três tentativas anteriores de acordo, já causou milhares de mortos e deixou milhões de refugiados internos. Mas dessa vez o governo e a guerrilha demonstram mais otimismo.

Os negociadores do governo e das Farc se reunirão no principal centro de convenções de Havana, numa parte da cidade chamada Cubanacan, habitada principalmente por diplomatas estrangeiros.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, deseja um acordo dentro de nove meses, mas os dois lados terão muitas questões espinhosas a resolver na sua pauta de cinco itens. Ela começa com o desenvolvimento rural, passando em seguida para temas como o futuro político e jurídico dos rebeldes, o fim definitivo do conflito, o problema do narcotráfico e a compensação para vítimas da guerra civil.

"Esperamos, como espera a maioria dos colombianos, que as Farc demonstrem que consideram esse um momento para a força das ideias, não para a força das balas", disse o negociador governamental Humberto de la Calle, no domingo, ao partir de Bogotá para Havana.

O conflito começou em 1964, quando as Farc surgiram como um movimento agrário comunista, decidido a reverter o longo histórico de desigualdades sociais na Colômbia.

O grupo perdeu força por causa de uma ofensiva militar patrocinada pelos EUA desde 2002, que reduziu seu contingente para cerca de 8 mil guerrilheiros, concentrados principalmente em remotas zonas de selvas e montanhas.

Mas os rebeldes continuam sendo capazes de realizar ataques, e críticos dizem que nos últimos anos as Farc se financiam principalmente com o narcotráfico, com sequestros e com "impostos de guerra" cobrados nos territórios sob seu controle.

Os líderes da guerrilha negam relação com o narcotráfico, e neste ano renunciaram aos sequestros. EUA e União Europeia, no entanto, continuam qualificando as Farc como um grupo terrorista.

Iván Márquez, membro do secretariado das Farc, comandará uma delegação com cerca de 30 pessoas na negociação, lançada formalmente no mês passado na Noruega. A Noruega, juntamente com Cuba, atua como observadora do processo .

As autoridades desejam manter as negociações sob estrito sigilo, provável razão para sua realização em Cuba - cujo governo é especialista em reter informações e manter a imprensa afastada. Chile e Venezuela também terão observadores no processo.

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