Apesar de pressão externa, Israel mantém ataques pelo sexto dia consecutivo

Número de mortos supera 90, e Exército israelense diz que 33% deles não eram militantes. Contagem de Associated Press, porém, indica que mais da metade de mortos é civil

iG São Paulo |

No sexto dia de bombardeios de Israel contra a Faixa de Gaza, e com o total de mortos superando 90, o Exército israelense afirmou nesta segunda-feira que 33% dos mortos não estavam envolvidos no conflito. No entanto, segundo a agência Associated Press, a ofensiva deixou 96 mortos, incluindo 50 civis, desde quarta-feira.

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Em uma escalada de sua campanha de bombardeios, Israel começou no domingo a atacar casas de ativistas do Hamas, grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza desde 2007. Esses ataques levaram a um grande aumento no número de mortos entre os civis, matando 24 deles em menos de 24 horas, segundo um funcionário de saúde de Gaza. No domingo, um único ataque matou ao menos 11 civis, em sua maioria mulheres e crianças de uma mesma família. Na quinta-feira, um foguete palestino deixou  três israelenses  mortos.

Além do ataque com 11 mortos, o Exército israelense reconheceu nesta segunda-feira que outros nove palestinos foram mortos acidentalmente em um ataque que tinha como alvo um comandante do Hamas responsável pelo programa de foguetes do grupo. Segundo as autoridades militares israelenses, o incidente está sendo investigado.

Foguetes interceptados

O Exército israelense afirmou ter atacado 80 locais durante a madrugada desta segunda, incluindo casas de militantes do Hamas, depósitos de armamentos e delegacias de polícia, elevando a 1.350 o total de locais bombardeados desde quarta-feira.

Houve também disparos esporádicos de Gaza em direção ao território israelense, mas não há relatos de danos materiais ou vítimas. Segundo o Exército de Israel, centenas de foguetes foram disparados pelos militantes palestinos nos últimos dias em direção ao território israelense, e cerca de um terço deles foi interceptado pelo sistema israelense de defesa antimísseis.

A violência na região se intensificou na quarta-feira, após a morte do comandante militar do Hamas, Ahmed Jabari , em um ataque aéreo israelense. Israel afirma que a morte de Jabari e o bombardeio a Gaza são respostas aos disparos de foguetes por militantes palestinos contra seu território.

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Pressão

A intensificação dos bombardeios israelenses no fim de semana aumenta a pressão internacional por um acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou sua ida ao Cairo, no Egito, para participar de negociações lideradas pelo governo egípcio para um possível acordo.

Na noite do domingo, Ban pediu que os dois lados interrompam imediatamente a violência. O premiê israelense, Biniyamin Netanyahu, afirmou no domingo que Israel estava pronto para "expandir" a operação em Gaza.

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Israel aprovou no fim de semana a convocação de até 75 mil reservistas , aumentando os rumores sobre uma possível invasão terrestre a Gaza. Até esta segunda-feira, 31 mil reservistas já haviam sido efetivamente convocados - quase o triplo do número de reservistas incorporados ao Exército durante o conflito de 2008-2009, quando o Exército israelense invadiu a Faixa de Gaza.

O presidente do Egito, Mohammed Morsi, afirmou que uma eventual invasão israelense a Gaza teria "repercussões graves" e afirmou que isso não seria aceito pelo Egito "nem pelo mundo livre". A Liga Árabe, que realizou uma reunião de emergência no domingo para discutir a violência na região, anunciou o envio de uma delegação ao território palestino nesta terça-feira.

*Com BBC e AP

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