Obama defende direito de defesa de Israel, mas alerta contra invasão terrestre

Em visita à Tailândia, presidente americano afirma que tropas terrestres em Gaza poderiam aumentar número de mortos e minar qualquer esperança de processo de paz

iG São Paulo | - Atualizada às

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse neste domingo apoiar totalmente o direito de defesa de Israel, mas advertiu que intensificar a ofensiva militar com tropas terrestres israelenses dentro da Faixa de Gaza poderia aumentar o número de mortos e minar qualquer esperança de um processo de paz com os palestinos.

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AP
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"Não há nenhum país no mundo que toleraria foguetes lançados contra seus cidadãos do lado de fora de suas fronteiras", disse Obama. "Apoiamos totalmente o direito de Israel de se defender. É preferível que isso possa ser feito sem escalar a atividade militar em Gaza", afirmou. "Não é preferível apenas para a população de Gaza. É também para os israelenses, porque, se tropas do país estiverem em Gaza, haverá um risco maior de baixas ou de elas serem feridas."

Em uma coletiva na Tailândia, durante visita de três dias iniciada neste domingo ao sudeste da Ásia, Obama disse que os palestinos não terão a chance de buscar seu próprio Estado e uma paz duradoura com Israel enquanto mantiveram o lançamento de foguetes a partir da Faixa de Gaza. O líder americano afirmou esperar um processo mais claro para o fim das hostilidades nas próximas 48 horas.

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Israel

Os comentários do líder americano foram feitos enquanto a campanha de Israel contra os militantes do Hamas em Gaza chegou a seu quinto dia e enquanto o primeiro-ministro Benyamin Netanyahu advertiu que as forças do país estão prontas para expandir suas operações - numa indicação de uma possível invasão por terra.

"Estamos pagando um alto preço por causa do Hamas e das organizações terroristas", disse Netanyahu no conselho de ministros. "O Exército está preparado para ampliar a operação significativamente." O Egito, que tenta mediar um potencial cessar-fogo, tem esperanças de que uma trégua possa ser alcançada.

Em um dos bombardeios lançados neste domingo, Israel deixou ao menos dez civis palestinos mortos , incluindo quatro crianças e quatro mulheres. De acordo com funcionário de saúde Ashraf al-Kidra, o ataque elevou para 66 o número de palestinos mortos na ofensiva de Gaza desde quarta, incluindo 32 civis. Três israelenses  perderam a vida por foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza na quinta-feira.

A rede de televisão russa Russia Today informou que seus escritórios em Gaza foram destruídos após um ataque da aviação israelense contra dois centros de imprensa na Cidade de Gaza , no qual ficaram feridos ao menos oito jornalistas, um dos quais perdeu uma perna.

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Após dez horas de calma que terminaram às 3h de Brasília, os grupos armados palestinos dispararam 33 foguetes contra Israel, dos quais cinco foram interceptados pelo sistema antimísseis Domo de Ferro, disseram as Forças Armadas. Dois eram dirigidos a Tel Aviv, o que ativou as sirenes na metrópole pelo quarto dia. O sistema antimísseis interceptou os dois, disse a polícia.

No campo diplomático, o chefe da chancelaria francesa, Laurent Fabius, chegou neste domingo à região para prosseguir com os esforços realizados com o Egito em busca de um cessar-fogo. Na terça-feira, a Liga Árabe enviará uma missão ministerial a Gaza.

O chanceler britânico, William Hague, conclamou Israel a não enviar tropas a Gaza para evitar uma escalada. "O primeiro-ministro (David Cameron) e eu deixamos claro perante nossos homólogos israelenses que uma invasão terrestre a Gaza custaria a Israel uma grande parte do apoio internacional que possui nesta situação", disse Hague à rede de televisão Sky News.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse neste domingo que precisa urgentemente de US$ 10 milhões para garantir o fornecimento, nos próximos três meses, de medicamentos e material médico a Gaza, onde a maioria das reservas de remédios básicos se esgotou.

A organização diz estar "profundamente preocupada com a escalada da situação na Faixa de Gaza e em Israel e por seu impacto na saúde e na vida das populações civis na região". Em Gaza, "um grande número de feridos ingressou nos hospitais com queimaduras graves, ferimentos causados pela queda de edifícios e traumatismos cranianos", afirmou a organização.

*AP, Reuters e AFP

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