Obama: Não há sinais de quebra da segurança nacional por caso Petraeus

Presidente dos EUA afirma que, por enquanto, não há evidências de que informações secretas tenham sido divulgadas por caso extraconjugal de ex-diretor da CIA

iG São Paulo |

O presidente americano, Barack Obama, afirmou nesta quarta-feira que não viu "nenhuma evidência" de que o caso extraconjugal do ex-diretor da CIA David Petraeus tenha afetado a  segurança nacional dos EUA.

"Não há prova alguma no momento, de acordo com o que vi, de que informações secretas tenham sido divulgadas com consequências negativas para a nossa segurança nacional", declarou Obama durante coletiva na Casa Branca, ressaltando que uma investigação está em andamento.

AP Photo/Carolyn Kaster
Obama gesticula durante coletiva na Casa Branca, em Washington

Em suas primeiras declarações públicas sobre o caso, Obama disse que a renúncia de Petraeus deveria ser uma "nota de rodapé" em sua carreira notável. De acordo com o senador John McCain, Petraeus, que renunciou na sexta-feira , testemunhará na quinta sobre o ataque ao consulado americano de Benghazi, na Líbia, diante do Senado americano.

A queda de Petraeus aconteceu três dias depois da reeleição de Obama e em meio às investigações sobre o trabalho da CIA após o ataque ao consulado.

O escândalo que derrubou Petraeus começou quando Jill Kelley, uma socialite de 37 anos da Flórida, denunciou receber emails intimidatórios e depois descobriu que partiram de Paula Broadwell , biógrafa de Petraeus. Segundo a AFP, nos emails Paula acusava Jill de flertar com Petraeus. O FBI posteriormente detectou mensagens entre o ex-diretor da CIA e Paula que revelavam o relacionamento extraconjugal.

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Steve Boylan, amigo e ex-porta-voz de Petraeus, afirmou que o general lamenta o relacionamento extraconjugal, iniciado dois meses depois de ter assumido o comando da CIA, em setembro de 2011. O romance terminou há quatro meses.

No curso da investigação, descobriu-se que Jill e o comandante dos EUA no Afeganistão, John Allen, trocaram nos últimos dois anos entre 20 mil e 30 mil páginas de emails  e outros tipos de comunicações, que foram entregues no domingo ao Departamento de Defesa.

Allen, porém, nega qualquer irregularidade nos seus contatos com a Jill, que vive em Tampa e trabalha de forma não remunerada na base aérea de Mac Dill, onde fica o centro de comando de operações especiais do Exército.

Nesta quarta-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, alertou contra as conclusões precipitadas a respeito do general de alto escalão. Panetta, que ordenou uma investigação sobre o caso na segunda-feira, defendeu a decisão de submeter o caso ao inspetor-geral do Pentágono e suspender a nomeação de Allen para outro cargo importante nas Forças Armadas. Ele alegou que essa foi uma medida prudente "até que determinemos quais são os fatos".

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Por outro lado, o secretário elogiou a atuação de Allen no Afeganistão, independentemente do resultado do inquérito. "Ninguém deve saltar para nenhuma conclusão aqui. O general Allen está fazendo um excelente trabalho na Isaf (força internacional no Afeganistão)", disse durante visita à Austrália.

Fontes próximas a Petraeus disseram que nem ele nem Allen tinham um relacionamento amoroso com Jill. Segundo fontes ligadas à investigação, o FBI decidiu analisar o caso porque as mensagens entre Allen e Jill abordavam informações sobre as atividades do chefe da CIA que não estavam disponíveis publicamente.

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Um funcionário disse, no entanto, que o número real de contatos entre Allen e Kelley pode ser bem inferior ao que sugerem as mais de 20 mil páginas, porque o material impresso inclui mensagens envolvendo outras pessoas e a repetição das conversas a cada email respondido.

Os investigadores disseram que muitas mensagens tinham tom de "flerte", mas funcionários disseram, sob anonimato, que Allen negou ter tido um relacionamento extraconjugal com a mulher. O adultério pode resultar em dispensa desonrosa das Forças Armadas dos EUA.

*Com AFP e Reuters

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