Investigação conclui que ação 'selvagem' da polícia matou brasileiro em Sydney

Responsável por inquérito sobre papel de policiais na morte de Roberto Laudisio Curti recomenda que cinco agentes sejam alvo de ação disciplinar

iG São Paulo |

A legista australiana Mary Jerram, encarregada de investigar a ação policial que levou à morte do brasileiro Roberto Laudisio Curti em Sydney, concluiu nesta quarta-feira que os agentes agiram de forma "selvagem" ao abordar o jovem brasileiro. "É impossível pensar que ele teria morrido sem a ação policial", concluiu.

Leia também: 'Eles quiseram matar', diz madrinha de brasileiro morto em Sydney

A funcionária de Nova Gales do Sul que investiga a morte de Curti, 21 anos, recomendou que os cinco policiais envolvidos sejam alvo de uma ação disciplinar e que haja uma imediata revisão dos critérios de uso de armas de Taser, que disparam descargas elétricas, pela polícia local.

Segundo os investigadores, Curti havia consumido LSD e estava em uma espécie de transe devido à droga, quando andava, de madrugada, pelas ruas de Sydney, no dia 18 de março. Em uma loja de conveniência, ele roubou dois pacotes de biscoito. Até onze policiais foram chamados às imediações, informados erroneamente de que se tratava de um assalto à mão armada.

Eles perseguiram Curti por diversas ruas de Sydney até conseguir alcançá-lo. Oficiais que participaram da operação contaram no inquérito que quatro policiais dispararam 14 vezes suas armas de taser contra o brasileiro. Ele foi controlado por sete policiais que usaram duas algemas, três latas de spray de pimenta e um cacetete. Curti morreu poucos minutos depois, mas a causa da morte não foi determinada pela autópsia.

De acordo com a legista, a ação foi "negligente, descuidada, perigosa e de força excessiva". "Houve abuso da força policial em vários momentos", afirmou, acrescentando que o uso do Taser foi "selvagem e fora de controle", com os policiais agindo "sem a menor ideia do que havia ocorrido" antes de abordar Roberto Curti.

Parentes do brasileiro elogiaram as conclusões da Justiça, mas destacaram que continuarão lutando por uma punição para os policiais. "Sabemos que nada vai devolver Beto, mas continuaremos lutando para que os responsáveis enfrentem as consequências do comportamento escandaloso naquela noite", afirmou à imprensa Michael Reynolds, porta-voz dos familiares do brasileiro.

Com AFP

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG