Escândalo de ex-diretor da CIA envolve comandante dos EUA no Afeganistão

General John Allen é investigado por supostas 'comunicações inadequadas' com mulher que recebeu mensagens com 'ameaças' de amante de Petraeus

iG São Paulo |

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General John Allen discursa durante cerimônia de troca de comando das forças americanas no Afeganistão (foto de arquivo)

O principal comandante americano no Afeganistão, general John Allen, está sob investigação por supostas "comunicações inadequadas" com uma das mulher envolvidas no escândalo sexual do ex-diretor da CIA David Petraeus, afirmou o Pentágono nesta terça-feira. A informação constitui um novo elemento na crise que explodiu depois da reeleição do presidente Barack Obama .

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De acordo com o Departamento de Defesa americano, Allen teria mantido "comunicações impróprias" com a mulher que disse ter recebido emails ameaçadores de Paula Broadwell, que teve um caso extraconjugal com Petraeus.

O Secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, disse em um comunicado entregue a repórteres que viajavam com ele para Perth, na Austrália, que havia pedido que a indicação de Allen a dois importantes cargos militares, um na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e outro nas Forças Armadas dos EUA, fossem suspensos temporariamente. O presidente Barack Obama concordou com o pedido.

Panetta afirmou que ordenou a investigação sobre Allen na segunda, um dia depois de o FBI ter apresentado as informações. Allen, que nega ter cometido atos ilícitos, continuará no cargo no Afeganistão, mas Panetta encorajou o Senado a agir rapidamente na aprovação de seu sucessor, o general Joseph Dunford.

Petraeus renunciou na sexta-feira como diretor da CIA, afirmando ter se envolvido em um caso extraconjugal.

Uma autoridade sênior de Defesa que viaja com Panetta disse que as comunicações de Allen foram feitas com Jill Kelley, 37 anos, que vive em Tampa (Flórida) e trabalha de forma não remunerada na base aérea de Mac Dill, onde fica o centro de comando de operações especiais do Exército.

Jill denunciou ao FBI uma série de e-mails com ameaças que recebeu durante o ano e depois descobriu que partiram de Paula, que é biógrafa de Petraeus. Segundo a AFP, nos emails Paula acusava Jill de flertar com Petraeus. O FBI posteriormente detectou mensagens entre o ex-diretor da CIA e Paula que revelavam o relacionamento extraconjugal.

Steve Boylan, amigo e ex-porta-voz de Petraeus, afirmou que o general lamenta o relacionamento extraconjugal, iniciado dois meses depois de ter assumido o comando da CIA, em setembro de 2011. O romance terminou há quatro meses.

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O então chefe das tropas americanas no Afeganistão, David Petraeus, e sua biógrafa, Paula Broadwell, com quem teve um caso extraconjugal (13/07/2011)

De acordo com a autoridade sênior, 20 mil a 30 mil páginas de emails e outros documentos de Allen com Jill datados de 2010 a 2012 estão sob revisão. Ele não disse se os documentos envolvem questões sexuais ou se incluem revelações não autorizadas de informação secreta. A fonte também afirmou não saber se Petraeus é mencionado nos emails.

Allen, um general de quatro estrelas dos Fuzileiros Navais, sucedeu a Petraeus como principal comandante dos EUA no Afeganistão em julho de 2011.

Casa revistada

Agentes do FBI revistaram a casa de Paula nesta terça-feira, informou a imprensa americana. "Agentes carregaram caixas e fizeram fotografias do interior da residência em Charlotte (Carolina do Norte)", informou o canal WFMY, filial da rede CBS. O jornal The Charlotte Observer informou que os agentes aparentemente revistaram dois andares da casa.

A queda de Petraeus aconteceu três dias depois da reeleição de Obama e em meio às investigações sobre o trabalho da CIA após o ataque ao consulado americano em Benghazi (leste da Líbia), que matou o embaixador e três funcionários americanos.

Paula não foi vista desde a renúncia de Petraeus e da explosão do escândalo. Ed Williams, um de seus vizinhos, afirmou à WCNC que ela, o marido Scott e os dois filhos estavam em um local desconhecido, mas destacou que todos estão bem. 

O escândalo deixou os políticos americanos em alerta. Eles temem que a segurança nacional esteja em perigo, pois a biógrafa teve acesso a informações confidenciais.

*Com Reuters, AFP e AP

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