Milhares de pessoas vão às ruas protestar contra governo na Argentina

Manifestantes reclamam de inflação, corrupção, criminalidade e a suposta intenção de reeleição de Cristina Kirchner. Em Londres, argentinos também protestaram

iG São Paulo |

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Milhares invadem a Avenida 9 de Julio para protestar contra o governo de Cristina Kirchner

Dezenas de milhares de argentinos foram nesta quinta-feira (8) às ruas das principais cidades da Argentina para protestar contra as políticas da presidente do país, Cristina Kirchner, que desde sua reeleição no ano passado sofre uma queda na popularidade em meio às críticas da forte intervenção estatal na economia.

O protesto, que acontece num momento de desaceleração econômica e restrição do governo para compra de divisas, foi convocado pelas redes sociais e meios de comunicação por cidadãos sem filiação política e por membros da oposição, embora não se via bandeiras partidárias nas distintas concentrações.

Entre outros pontos, os manifestantes se queixavam da insegurança urbana, da suposta intenção de Cristina em buscar uma nova reeleição, da inflação e das travas oficiais para a compra de dólares.

"Sim à democracia, não à reeleição", dizia um cartaz de manifestantes no centro de Buenos Aires, onde o trânsito estava congestionado pela extensão do protesto.

Após vencer a eleição presidencial de 2011 com 54 por cento dos votos, a aprovação da gestão de Cristina ficou em apenas 31,6 por cento em outubro, segundo a última pesquisa da consultoria Management & Fit.

Outras pesquisas indicam uma imagem positiva maior para a mandatária, embora também mostrem que sua popularidade caiu pelo menos 10 pontos percentuais neste ano.

"O governo e Cristina Kirchner sairão ainda mais enfraquecidos do que já estão. Contudo, não considero que exista uma alta probabilidade de que o governo modifique suas políticas ou seu discurso", disse à Reuters o diretor da consultoria Poliarquía, Sergio Berensztein.

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Homem faz 'panelaço' durante protesto contra o governo de Cristina Kirchner em Buenos Aires

Cristina tem um estilo de confronto de gestão e de comunicação, o que faz com que o desconforto sentido pelos opositores diante de suas políticas aumente.

Berensztein considerou que com a manifestação, "a oposição também demonstra sua impotência e incapacidade para canalizar as demandas emergentes."

O protesto acontece meses depois que a economia argentina começou a desacelerar após quase uma década de sólido crescimento e num momento em que a inflação, estimada em mais de 20 por cento por ano por analistas privados, afeta o poder aquisitivo da população.

Para tentar frear uma fuga de capital, o governo restringiu ainda mais neste ano as compras de dólares, já limitadas desde 2011, o que provocou um amplo descontentamento em setores da sociedade, principalmente de classe média e alta, acostumados a viajar ao exterior ou poupar em moeda norte-americana.

Reino Unido

Em Londres, dezenas de cidadãos argentinos também fizeram um panelaço na noite desta quinta-feira, diante da embaixada da Argentina, para protestar contra o governo da presidente Cristina Kirchner.

"Quero voltar, mas como a situação está agora não é possível. Está muito complicado para todos", disse à AFP Micaela, uma jovem de 29 anos que mora há três na capital britânica, onde trabalha com pesquisa de mercado.

"O mais preocupante para mim é a insegurança e a falta de liberdade. Já não há liberdade de expressão (...) e não se pode trocar dólares, as pessoas não podem poupar em dólares. Isto é uma vergonha, com um país cheio de recursos, não há explicação", destacou Micaela.

Convocados pelas redes sociais, os manifestantes carregavam bandeiras argentinas, balões azuis e brancos e cartazes em espanhol e inglês com frases como: "Nossos direitos são violados dia a dia", "Digam não ao projeto Argenzuela" e "Não toquem na Constituição argentina", em referência aos planos para mais uma reeleição de Cristina Kirchner.

"Pedimos um governo menos corrupto e que haja mais controle no andar de cima, e não no de baixo. Lá em cima é um desastre de corrupção e desperdício de dinheiro por todos os lados, sem qualquer controle. Este dinheiro não é do governo, é do povo", disse Rodrigo, 40 anos.

***Com informações da AFP e Reuters

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