Obama teve forte apoio de minorias e mulheres para conquistar reeleição

Presidente venceu em sete de nove Estados-chave e com cerca de 700 mil votos a mais que seu rival na votação popular nacional

Leda Balbino - enviada a Chicago | - Atualizada às

AP
O presidente reeleito dos EUA, Barack Obama, celebra vitória com a família em Chicago

Para conquistar sua reeleição na terça-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, contou com o voto dos hispânicos, mulheres e moderados nacionalmente e em sete dos nove swing states (Estados-pêndulo, em tradução livre), que eram considerados cruciais pelo fato de as pesquisas de intenção de voto indicarem que não tinham um resultado definido.

Com uma diferença de cerca de 700 mil votos, Obama obteve uma vitória apertada sobre o candidato republicano, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, na votação nacional popular, mas venceu de forma ampla no que interessava: a disputa pelos votos do Colégio Eleitoral. Indireta, a eleição americana não é decidida pelos votos populares, mas por disputas Estado a Estado e seus respectivos delegados no órgão de 538 membros.

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Dos nove Estados em jogo, Obama venceu no Colorado, Iowa, Nevada, New Hampshire, Ohio, Virgínia e Wisconsin, enquanto Romney ganhou na Carolina do Norte. O resultado da Flórida ainda está muito indefinido para que seja declarado um vencedor. Com as vitórias, o líder americano obteve ao menos 303 votos no Colégio Eleitoral, enquanto seu rival ficou com 206.

Obama, que em 2008 se tornou o primeiro presidente negro dos EUA, continuou a fazer história na terça-feira ao se tornar o primeiro líder a ser reeleito desde Franklin Roosevelt (1933-1945) com uma taxa de desemprego tão alta quanto a de agora: 7,9% em outubro. Os índices ainda são efeito do fato de o país ter passado, depois de 2008, por sua pior recessão desde a Grande Depressão dos anos 30.

Vídeo: Assista a trecho do discurso de Obama após vitória

De acordo com pesquisas de boca de urna, Obama recebeu forte apoio do eleitorado feminino, assim como de negros e hispânicos, grupos que também pavimentaram sua vitória há quatro anos. Segundo o New York Times, os latinos representaram um em cada dez eleitores em nível nacional e votaram a favor do presidente em números maiores do que em 2008, fazendo diferença nos cruciais Colorado e Nevada.

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O grupo favorável a Romney incluiu eleitores brancos, masculinos, mais velhos, evangélicos, pessoas de alta renda, moradores de áreas do subúrbio ou rurais e aqueles que se declaram partidários do Tea Party, movimento ultraconservador que ecoou dentro do Partido Republicano em 2009 em reação às medidas de Obama contra a crise de 2008, como planos de resgate a bancos e à indústria automobilística.

Com um nome que se refere a um protesto contrário a impostos cobrados pela Inglaterra sobre o chá (tea, em inglês) quando os EUA ainda eram colônia em 1773, o movimento defende menor cobrança fiscal, fim da intervenção federal na economia e não prepoderância do governo federal sobre os Estados.

Seu discurso impulsionou os republicanos mais para posições políticas de direita, alienando eleitores mais moderados, as mulheres e os que pertencem às minorias. Após a derrota de terça, o partido provavelmente será obrigado a reavaliar o discurso anti-imigração em relação aos hispânicos, que, desde 2011, correspondem a mais de 50 milhões de habitantes – ou 16,3% da população americana, segundo dados do Censo.

Celebração

A festa da vitória de Obama ocorreu no centro de convenções McCormick Place de Chicago, onde, ao som constante de músicas e empunhando bandeiras dos EUA, milhares celebraram os anúncios de cada Estado conquistado e esperaram ansiosamente pelo discurso do presidente reeleito. No centro de imprensa, mesmo jornalistas não se fizeram de rogados e mostraram com sorrisos e gestos de vibração que preferiam Obama a seu rival.

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Após entrar no palco, Obama prometeu que “o melhor ainda está por vir” para os EUA e fez um apelo por unidade e pelo fim das divisões partidárias que, nos últimos anos, paralisaram sua agenda de governo no Congresso. Mas o líder não deve enfrentar um cenário melhor que o atual ao assumir seu segundo mandato em 20 de janeiro já que o Congresso continua dividido: os republicanos mantiveram o controle da Câmara de Representantes e os democratas, o do Senado.

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Segundo o líder americano, discussões e divergências fazem parte do processo democrático, mas é importante que os EUA estejam unidos para atingir objetivos comuns.

"Queremos um país em que nossas crianças tenham acesso à educação de qualidade. Queremos um país que não esteja ameaçado pelas mudanças climáticas. Queremos um país seguro. Um país que seja respeitado no mundo todo. Que tenha o melhor Exército e os melhores soldados. Um país que que lute pela liberdade. Um país que esteja aberto para receber imigrantes que buscam uma vida nova", afirmou.

"Nos próximos dias, vou sentar com os líderes dos partidos republicano e democrata para trabalhar nesses problemas. Temos muito trabalho a fazer", completou. "O trabalho de vocês (eleitores) também não termina com o fim da votação. Nossa nação não se define por aquilo que o governo faz pelas pessoas, mas sim por aquilo que as pessoas fazem por ela.”

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