Jovens republicanos usam férias para ajudar campanha de Romney

Com ambições políticas, universitários da Califórnia e do Mississippi passam verão na capital americana para trabalhar para Comitê Nacional Republicano

Leda Balbino - enviada a Washington |

Enquanto muitos de seus amigos aproveitavam as férias para descansar, os universitários Barr Benyamin, 21 anos, e Katie Greer, 22, pegaram um avião rumo à capital Washington para fazer um estágio de nove semanas no Comitê Nacional Republicano (CNR), entre meados de junho e meados de agosto, período de verão no Hemisfério Norte.

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Estudante de Ciência Política e Administração Empresarial da Universidade do Sul da Califórnia (USC), Barr estagiou no setor de propaganda política, em sua maior parte para internet. Sua função era fazer pesquisas e ter ideias para vídeos favoráveis ao candidato presidencial republicano, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, que na terça-feira tenta impedir a reeleição do presidente dos EUA, o democrata Barack Obama. “Foi uma experiência incrível. Aprendi muito sobre o que é necessário para gerenciar uma organização política, o que é preciso para fazer uma campanha, quanto trabalho é empregado nisso”, contou.

Arquivo pessoal
A estudante Katie Greer é vista em frente ao Capitólio, prédio do Congresso americano, em Washington

Katie, que estuda Comunicação e Ciência Política na Faculdade de Millsaps, no Mississippi, era encarregada de se comunicar por telefone e email com os eleitores registrados do Partido Republicano para avaliar quais eram os temas de seu interesse nesta eleição. “O partido se interessa em ter essas opiniões para encontrar melhores formas de representar os diferentes grupos de eleitores, e não ter uma abordagem de cima para baixo”, explicou.

Barr conseguiu a vaga no CNR com auxílio de um de seus professores e teve parte dos custos da viagem cobertos pelo Instituto de Política da USC, que concede bolsas para alunos com interesse em estágios políticos com base no currículo, nas notas e na contribuição para o campus. “Usei os US$ 2 mil da bolsa para pagar minha estada, e esse dinheiro me impedia de receber pagamentos do partido”, disse. “Alguns dos escolhidos ficaram na Califórnia e trabalharam em candidaturas para vagas no Congresso. Havia democratas e republicanos entre os 30 a 40 alunos aprovados para três bolsas diferentes”, afirmou.

Para conseguir o estágio no CNR, Katie contou com a recomendação de um amigo de família que vive na capital americana. Ela, porém, não teve uma bolsa estudantil para ajudar na viagem. Determinada a ir para a capital americana, a estudante guardou dinheiro durante o verão do ano passado trabalhando em dois lugares diferentes. “Em Washington, recebia somente US$ 200 a cada duas semanas do CNR, dinheiro que me ajudava a pagar a alimentação e o transporte, mas tive de trabalhar em um bar para conseguir pagar meus outros gastos”, relatou.

Arquivo pessoal
O universitário Barr Benyamin é visto em frente ao Washington Memorial

Segundo Katie, ela e Barr têm motivações parecidas para optar por fazer um estágio em vez de descansar nas férias. “Nós dois queremos trabalhar com política, e ambos acreditamos que a melhor forma para conseguir isso é começar com o Comitê Nacional Republicano”, disse. “Por meio dessa experiência fomos capazes de não apenas servir ao partido, mas também a todas as pessoas que estão sob ele, como os eleitores.”

Após terminar os estudos, a americana gostaria de começar a carreira política como assistente de Comunicação de um congressista de seu Estado e, “após anos de experiência”, tornar-se consultora política. “Independentemente da função – até mesmo mais tarde ser eleita como congressista –, só quero representar o Partido Republicano”, disse Katie, que se identifica com o receituário de responsabilidade individual e fiscal da legenda. “Pelo trabalho na política é possível representar a voz de um grande grupo de pessoas, não apenas de você mesmo, e conquistar coisas para um objetivo comum.”

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Barr concorda e conta que um dos aspectos que mais o motivaram em sua experiência em Washington foi a quantidade de jovens interessados no processo político e eleitoral. “Percebi que muito do trabalho de bastidores é feito por pessoas muito mais jovens do que as que aparecem na TV”, disse, afirmando que o comitê republicano contava com 50 a 60 estagiários. “E, como a democracia precisa do maior número possível de pessoas para funcionar, nada será possível sem a geração mais jovem. Ela tem de ver que é abençoada pela possibilidade de se fazer ouvir e de influenciar as decisões.”

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O californiano gostaria de começar sua carreira política trabalhando como assessor de campanha de algum deputado ou senador antes de tentar concorrer a um cargo político. “Estar em Washington me mostrou que há tantas funções políticas diferentes. Adoraria começar em algum lugar”, afirmou.

Segundo Katie, o sonho dos dois não é nada modesto. “Para ser muito honesta, minha relação com Barr é tão boa que brincamos que gostaríamos de concorrer juntos pela chapa republicana em 2036”, afirmou rindo. “Mas, na verdade, ficaria muito honrada de ser apenas sua gerente de campanha. Realmente acredito que ele um dia será o presidente.”

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