Eleição na Sicília e ameaça de Berlusconi agitam a Itália

Resultado é visto como termômetro para eleição parlamentar de abril, no momento em que ex-premiê ameaça retirar apoio ao governo de Monti

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O resultado da eleição regional da Sicília vai oferecer, nesta segunda-feira, pistas sobre o impacto político da ameaça feita por Silvio Berlusconi de retirar apoio ao governo do primeiro-ministro Mario Monti antes da próxima eleição geral, no ano que vem.

Os sicilianos escolheram um novo governo regional no domingo, mas a apuração só começou nesta segunda. Uma pesquisa de boca de urna em Palermo, a capital regional, feita pelo canal de TV TRM, indicou a liderança do Movimento 5 Estrelas (M5E), com 26%.

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Mulher vota em Catania, na Sicíclia (28/10)

O comparecimento às urnas não chegou a 50%do eleitorado, numa eleição vista como termômetro para a eleição parlamentar esperada para abril.

Os resultados iniciais são aguardados ainda para esta segunda, e todas as atenções estão voltadas para o desempenho da centro-direita e do M5E, que se oferece como uma alternativa aos partidos tradicionais, com promessas de combater o desperdício e a corrupção.

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O M5E já teve bons resultados nas eleições municipais de maio, e uma boa atuação na Sicília reforçaria seu status como principal veículo para a desilusão do eleitorado com os grandes partidos.

Mas a ameaça feita no sábado por Berlusconi de retirar seu apoio a Monti complica o cenário político. O bilionário ex-premiê, condenado na semana passada por fraude tributária, atacou as políticas de austeridade fiscal do governo Monti, anunciando que seu partido, o Povo da Liberdade (PDL), pode buscar a destituição do gabinete tecnocrata.

A ameaça, dias depois de Berlusconi anunciar que não irá concorrer novamente ao cargo de primeiro-ministro, ilustra a confusão política na Itália. O próprio PDL está enfraquecido e dividido entre uma facção leal a Berlusconi e um grupo que mantém o apoio a Monti.

Berlusconi renunciou ao governo há quase um ano, no auge de uma crise financeira que ameaçava empurrar a Itália para uma caótica moratória.

Os mercados estão reagindo com nervosismo à incerteza política na Itália, terceira maior economia da zona do euro. Os juros pagos nos títulos públicos do tipo BTP, com vencimento em 10 anos, estão em quase 5%, 345 pontos-base acima dos títulos alemães que balizam o mercado. Neste mês, graças a uma promessa de intervenção do Banco Central Europeu contra a crise, o "spread" havia caído a 313 pontos-base.

A Sicília tem um desemprego que alcança quase o dobro da média nacional, e sua economia tem sofrido muito com a recessão na Itália. A eleição deve refletir o mau humor do eleitorado com os repetidos escândalos políticos, os aumentos de impostos e os cortes de gastos públicos.

Nas pesquisas nacionais, o PDL aparece atrás do Partido Democrático (centro-esqurda) e do Movimento 5 Estrelas. A centro-direita sofre divisões internas em nível nacional e também na Sicília.

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