União Europeia dá prêmio Sakharov a cineasta e advogada iranianos

Dissidentes Jafar Panahi e Nasrin Sotudeh são escolhidos por Parlamento europeu por 'resistir à intimidação' do governo do Irã

iG São Paulo |

O Parlamento Europeu concedeu nesta sexta-feira o prêmio Sakharov ao cineasta iraniano Jafar Panahi e à sua compatriota Nasrin Sotudeh, advogada, ambos condenados a longas penas em seu país, anunciou o presidente do órgão, Martin Schulz.

Os líderes das bancadas do Europarlamento, reunidos nesta sexta-feira em Estrasburgo (leste da França), decidiram por unanimidade conceder o prêmio aos dois iranianos, que competiam com as três integrantes do grupo punk russo Pussy Riot e com o dissidente bielorrusso Ales Beliatski, explicou Schulz.

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AFP
Jafar Panahi, em foto de 2006

"Queremos manifestar nossa admiração por uma mulher e um homem que resistem à intimidação da qual os iranianos são vítimas", explicou o social-democrata alemão que preside o Parlamento Europeu.

A atribuição deste prêmio, segundo Schulz, "deve ser interpretada como um 'não' muito claro ao regime iraniano", que "não respeita nenhuma das liberdades fundamentais".

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O Prêmio Sakharov pela liberdade, que será entregue oficialmente no dia 12 de dezembro em uma cerimônia em Estrasburgo, recompensa todos os anos um defensor dos direitos humanos e da democracia. O vencedor recebe 50 mil euros.

O cineasta Panahi, de 52 anos, conhecido por suas ácidas sátiras sociais, é um dos diretores da "nova onda" iraniana mais conhecido no exterior, tendo recebido vários prêmios de grandes festivais.

No fim de 2010 foi condenado a seis anos de prisão e a 20 anos de proibição de filmar, viajar ou se manifestar, apesar da mobilização internacional a seu favor. Atualmente, está em prisão domiciliar.

Sotudeh, de 49 anos, é uma advogada que foi condenada em janeiro de 2011 a 11 anos de prisão, assim como a 20 anos de proibição de exercer sua profissão de advogada e a abandonar o Irã, por "ações contra a segurança nacional, propaganda contra o regime e pertencimento ao Centro de Defensores dos Direitos Humanos" iraniano, fundado pela prêmio Nobel da Paz Shirin Ebadi.

"Convoco as autoridades iranianas a fazerem tudo para que Nasrin Sotudeh e Jafar Panahi possam vir recolher o prêmio", insistiu Schulz.

A distinção é anunciada às vésperas de uma polêmica visita ao Irã de uma delegação de cinco eurodeputados ecologistas e de esquerda, que, segundo seus promotores, faz parte "do duplo enfoque da União Europeia em relação ao Irã, integrado por sanções e diálogo".

Com AFP

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