Segundo New York Times, parentes de Wen Jiabao teriam patrimônio acumulado em 2,7 bilhões de dólares

Mais um escândalo pode abalar as estruturas do Partido Comunista na China. A família do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, um líder conhecido por suas origens humildes e por sua compaixão com o povo, acumulou uma enorme fortuna durante o mandato dele, revelou o jornal The New York Times nesta sexta-feira.

De acordo com a publicação americana, somente a mãe de Wen Jiabao, uma ex-professora de colégio infantil atualmente com 90 anos, seria dona de uma fortuna de empresa prestadora de consultoria financeira avaliada em US$ 120 milhões (em torno R$ 242 milhões).

Wen Jiabao participa de comemoração do aniversário de 63 anos da República Popular da China (arquivo)
AP
Wen Jiabao participa de comemoração do aniversário de 63 anos da República Popular da China (arquivo)

"Uma revisão de registros corporativos e regulatórios indica que os parentes do primeiro-ministro, alguns dos quais com um pendor agressivo para os negócios, incluindo sua mulher, controlavam um patrimônio avaliado em pelo menos 2,7 bilhões de dólares", disse o jornal.

Os sites do New York Times em inglês e chinês foram bloqueados na China na manhã de sexta-feira, assim como as buscas no serviço Sina Weibo (espécie de Twitter chinês) pelo nome do jornal e dos filhos e esposa de Wen.

Hong Lei, porta-voz da chancelaria chinesa, disse a jornalistas que a reportagem "difama o nome da China, e tem motivos escusos". Questionado sobre o bloqueio aos sites, ele disse: "A China gere a internet em concordância com suas leis e regras".

O NY Times noticiou que a mãe, irmãos e filhos de Wen acumularam a maior parte da sua riqueza desde que Wen foi nomeado vice-premiê, em 1998. Ele foi promovido a primeiro-ministro em 2003.

Citando um exemplo, o jornal disse que sociedades controladas por parentes de Wen e seus amigos e colegas detinham em 2007 a soma de 2,2 bilhões de dólares em ações da Ping An Insurance (Group) Co of China Ltd. Esse foi o último ano em que a propriedade acionária foi revelada em documentos públicos.

O NY Times disse ter apresentado as informações ao governo chinês, que se negou a comentar. Os familiares de Wen também evitaram fazer comentários ao jornal.

A vida privada dos líderes chineses, assim como o seu patrimônio, são assuntos tratados de forma sigilosa na China. Mas a imprensa oficial chinesa eventualmente divulga denúncias contra funcionários subalternos, e relatos sobre o alto escalão na imprensa ocidental e de Hong Kong permitem avaliar os lucros que os cargos públicos rendem a seus ocupantes.

Ocasionalmente, funcionários graduados são apanhados e punidos em casos de corrupção.

O jornal disse que a família de Wen esconde seu patrimônio com a ajuda de laranjas, e que os investimentos incluem um projeto de condomínio fechado em Pequim, uma fábrica de pneus no norte da China, e uma empreiteira que participou das obras do estádio conhecido como Ninho de Pássaro, e de outras instalações usadas na Olimpíada de Pequim 2008.

Com Reuters e NYT

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