Obama acusa rival de sofrer de ‘Romnesia’ durante comício na Virgínia

Em Richmond, presidente dos EUA diz que rival republicano esquece posições conservadoras na reta final da campanha

Leda Balbino - enviada especial a Richmond |

Durante um comício na Virgínia nesta quinta-feira, o presidente dos EUA, o democrata Barack Obama, retratou seu rival republicano, Mitt Romney, como alguém que o país não pode confiar ao acusá-lo de mudar de posição na reta final da campanha para as eleições de 6 de novembro.

Leda Balbino
Obama durante comício em Richmond, na Virgínia: vitória em estado é considerada crucial

Segundo Obama, seu rival sofre de “Romnesia”, apelido que deu para uma aproximação do republicano a posições mais de centro desde o primeiro debate presidencial, no dia 3, após meses de campanha mais voltada para a base conservadora do Partido Republicano.

“Se você sofre dessa doença em que esquece o que disse há uma semana e não lembra daquilo que está escrito em seu próprio site, nós somos a cura”, disse sob aplausos de milhares no Memorial Carillon, na cidade de Richmond. “Vocês me conhecem. Tenho palavra e digo o que penso”, completou.

Para reforçar o argumento de que é o líder em que a população pode confiar, Obama declarou como cumpridas algumas promessas da campanha de 2008, como o fim da guerra do Iraque. O líder americano também lembrou da diminuição do envolvimento militar americano no Afeganistão, da morte do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden , em maio de 2011 e da aprovação da reforma da saúde. "Disse que nenhum americano iria à falência se ficasse doente, e aprovamos a ObamaCare."

A menos de duas semanas da eleição, a Virgínia foi o sexto de oito Estados que Obama visitou em um período de 48 horas iniciado na quarta-feira. “Vocês notaram que estou rouco. O motivo é que estou no meio de uma campanha extravagante de 48 horas”, disse sorrindo.

Para tentar definir uma eleição que pesquisas indicam que será disputada voto a voto com Romney, a maratona de viagens incluiu, antes da Virgínia, Iowa, Colorado, Califórnia, Nevada e Flórida. Depois de Richmond, Obama foi a Chicago (Illinois), onde se tornou o primeiro presidente dos EUA a votar antecipadamente em uma eleição, e fechou o giro de campanha em Ohio.

Obama foi precedido no palco por autoridades que pediram para que a população compareça às urnas ou vote antecipadamente se possível. O apelo indicou a preocupação da campanha de que uma mobilização fraca possa custar o Estado, que depois de 40 anos votou pela primeira vez em um democrata na eleição de 2008.

Calor

Sob um forte sol, milhares esperaram ao menos cinco horas para ver e ouvir Obama em Richmond. Antes do início do evento, muitos pediram por água, que foi entregue em garrafas pequenas pela equipe que organizou o comício. Às 11h30 locais (13h30 de Brasília), uma jovem foi retirada de maca após desmaiar, seguida por um senhor de meia idade que saiu carregado por dois seguranças.

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Dolores Green, 72 anos, e seu genro Nickie George, 57, saíram de casa às 5h40 para ver Obama

Para chegar ao comício, Dolores Green, 72 anos, acordou cedo. Ela e seu genro Nickie George, 57, saíram de casa às 5h40 por morarem a 56 km de Richmond. "Chegamos aqui às 7h, e havia fila. Já chegamos atrasados", brincou George, que com Dolores teve de esperar duas horas na fila até a abertura dos portões, programada para as 9h. Mas ele indicou que o esforço valeu a pena. "Essa é a primeira vez que vejo um presidente", contou.

De acordo com os dois, o argumento de Romney de que Obama não conseguiu consertar a economia em seus quase quatro anos de mandato não é verdadeiro. "Em 2008, durante a crise financeira sob (George W.) Bush (2001-2009), fui demitido três vezes. Depois que Obama foi eleito, as coisas melhoraram", disse George, que trabalha como operador gráfico.

"Também muitas pessoas perderam suas casas em 2008, e agora novas residências estão sendo construídas. Não acreditamos em Romney porque ele sempre muda de posição”, disse Dolores ecoando a ideia da “Romnesia”.

Marian, que rejeitou dar seu sobrenome por ser funcionária federal, também afirmou não confiar no candidato republicano. “Nos anúncios antes dos debates, ele era totalmente contra o aborto. Agora diz que seria favorável em casos como estupro e incesto” , afirmou. “Então ele vem mudando suas posições e se aproximando das de Obama. Não é confiável.”

A estudante de psicologia Shanice Brandon, 20, indicou que tem uma razão muito simples para votar em Obama: “Eu simplesmente o amo”, afirmou. “Ele é pelas mulheres e pela classe média. Também gosto da reforma da saúde.”

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Shanice tem uma razão muito simples para votar: “Eu simplesmente amo o Obama”

Para conseguir estudar, Shanice conta com um crédito estudantil federal para poder pagar os US$ 15 mil mensais por sua universidade. “Sem isso, não conseguiria estudar. E, se Romney vencer, vai querer dar o dinheiro aos mais ricos, que não precisam”, disse repetindo um mantra da campanha de Obama de que Romney, por ser um empresário bem-sucedido, seria uma pessoa sem contato com a realidade da classe média.

Estados-pêndulo

Dos oito Estados da maratona de campanha, seis são swing states (Estados-pêndulo, em tradução livre), cruciais na disputa por não serem tradicionalmente democratas nem republicanos. Como a eleição dos EUA não é definida pelo voto popular nacional, resume-se a disputas Estado por Estado e seus respectivos votos no Colégio Eleitoral – órgão em que é necessário conquistar 270 dos 538 votos para vencer.

Segundo sua campanha, Obama visitou a Virgínia 46 vezes desde o início de sua presidência. Neste ano, ele viajou ao Estado 17 vezes para comparecer a 19 eventos políticos e a seis eventos oficiais como presidente.

Estado tradicionalmente republicano até a eleição de Obama, em 2008, a Virgínia tem 13 votos no Colégio Eleitoral e é considerada crucial, juntamente com a Flórida (29) e Ohio (18), para a vitória de quaisquer um dos candidatos em 6 de novembro.

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