Mianmar registra 56 mortos em confrontos entre budistas e muçulmanos

Apesar do toque de recolher imposto pelas autoridades birmanesas, mais de 2 mil casas foram incendiadas desde domingo

iG São Paulo |

Autoridades do estado de Rakhine, na região sudoeste de Mianmar, afirmaram que ao menos 56 pessoas morreram e mais de 2 mil casas foram incendiadas em confrontos entre budistas e muçulmanos desde domingo. Somente na madrugada desta quinta-feira, foram contabilizadas sete vítimas, apesar de um toque de recolher imposto pelo governo birmanês.

AFP
Homem budista é internado em hospital de Mianmar: conflito entre etnia rakhine e muçulmanos deixou ao menos 56 mortos

Ainda está pouco claro o que motivou os novos atos de violência contra a minoria muçulmana que vive na província de Rakhine, próxima a Bangladesh. Em junho de 2012, outros confrontos também deixaram cerca dezenas de mortos, milhares de residênciais destruídas e templos queimados. As duas etnias trocam acusações sobre qual grupo teria iniciado os ataques.

As forças de segurança de Mianmar também são responsáveis pelo alto número de mortos. Segundo relatos, após confrontos violentos entre budistas e muçulmanos eclodirem nas cidades de Ratha Taung e Kyauk Taw, militares abriram fogo contra a população.

A escalada de violência entre os dois grupos étnicos data do mês de maio, quando uma garota budista foi supostamente estuprada por três homens muçulmanos. Na época, um grupo da etnia rakhine, predominante no estado homônimo, assassinou dez fiéis islâmicos da etnia Rohingya e deu início a uma onda de confrontos que deixou um saldo total de 90 mortes. 

Especula-se que as novas agressões estejam relacionadas a atos de vingança de grupos religiosos envolvidos no caso.

Segundo relatos, os muçulmanos de Mianmar estão evitando celebrar o Eid al-Adha, conhecido como Festival do Sacrifício, uma das festas mais tradicionais da religião islâmica, com medo de represálias. O próprio governo de Mianmar afirma que os membros da seita Rohingya, em torno de 800 mil pessoas, são considerados imigrantes ilegais que vieram de Bangladesh para roubar suas terras.

As autoridades contabilizam ao menos 156 etnias diferentes no país. A população birmanesa, inclusive, sempre foi hostíl com relação a minoria muçulmana.

Em um comunicado oficial, a Organização das Nações Unidas (ONU) lamentou os atos de violência e pediu calma para a população de Mianmar. "Estamos muito preocupados com a volta de confrontos no estado de Rakhine. Ajuda humanitária será necessária para dar apoio à população desabrigada, e medidas sociais a longo prazo também são necessárias para acabar com as raízes desse conflito", disse Ashok Nigam, secretário da ONU na região.

Com BBC e AP

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