'Estupro é estupro. É crime', diz Obama sobre frase polêmica de republicano

De olho no eleitorado feminino, presidente critica na TV declaração de candidato ao Senado por Indiana, para quem gravidez pós-estupro é 'vontade de Deus'

iG São Paulo |

Na tentativa de conquistar o eleitorado feminino indeciso, considerado crucial na eleição americana deste ano, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, falou sobre estupro em tom firme na noite de quarta-feira. Em entrevista ao apresentador de TV Jay Leno, o líder criticou a polêmica declaração do candidato republicano ao Senado por Indiana, Richard Mourdock, de que a gravidez que resulta de um estupro é " vontade de Deus ".

"Não sei exatamente como esses caras chegam a essas ideias. Vou fazer uma afirmação muito simples: estupro é estupro. É um crime", disse Obama no programa "The Tonight Show", da rede NBC. "É exatamente por isso que a gente não quer um bando de políticos, principalmente homens, tomando decisões sobre a saúde das mulheres."

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AP
O presidente dos EUA, Barack Obama, durante entrevista ao apresentador Jay Leno (24/10)

Mourdock fez o comentário durante um debate no qual foi questionado sobre se o aborto deve ser permitido por lei em caso de estupro. Ele se disse contra: "Pensei sobre isso por muito tempo e cheguei à conclusão de que (a gravidez) é um presente de Deus. E, acho, mesmo quando a vida começa com uma situação terrível de Deus, é algo que Deus queria que acontecesse", afirmou.

A frase teve grande repercussão nos EUA e os democratas rapidamente tentaram associá-la ao candidato presidencial republicano, Mitt Romney . A campanha de Romney disse que ele discorda das posições de Mourdock, assim como meses atrás ele já havia se distanciado de outro político republicano, Todd Akin, que disse que os corpos das mulheres são naturalmente capazes de evitar gravidez caso elas sejam vítimas de um " legítimo estupro ".

Romney, porém, reafirmou apoio à candidatura de Mourdock em Indiana.

Obama na TV

A entrevista de Obama a Jay Leno foi cheia de piadas sobre casamento, Halloween e outros assuntos. Mas o presidente democrata também fez alguns comentários sérios, principalmente acerca do principal tema da campanha: a economia.

Questionado sobre o chamado abismo fiscal, uma combinação de cortes automáticos nos gastos públicos e de aumentos tributários, previstos para o começo de 2013, Obama disse estar confiante em uma solução ainda neste ano.

"Resolver isso não é tão difícil. Exige algumas escolhas difíceis", disse Obama, acrescentando que alguns programas precisarão de fato ser cortados, e que as alíquotas tributárias deveriam subir para pessoas que ganham pelo menos US$ 250 mil por ano. "Espero que consigamos fazer isso até o final do ano. Exige só algum compromisso, o que não deveria ser palavrão."

Num momento mais descontraído, ele ironizou o magnata imobiliário e apresentador de TV Donald Trump, que recentemente divulgou um vídeo desafiando Obama a divulgar documentos sobre sua formação educacional.

Trump questiona repetidamente se Obama, nativo do Havaí, realmente nasceu nos EUA, e Obama zombou das teorias de Trump sobre as origens do presidente.

"Isso tudo data de quando fomos criados juntos no Quênia", brincou Obama, que é filho de um queniano. "Tínhamos, sabe, constantes atritos no campo de futebol. Ele não era muito bom, e se ressentia disso."

Com Reuters

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