Governo sírio aceitou trégua temporária, diz mediador internacional

Lakhdar Brahimi espera que cessar-fogo durante festa muçulmana do Eid al-Adha seja ponto de partida para acordo entre Assad e rebeldes

iG São Paulo | - Atualizada às

O governo da Síria aceitou um cessar-fogo temporário durante a festa muçulmana do Eid al-Adha, afirmou nesta quarta-feira o enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe para o país, Lakhdar Brahimi.

A chancelaria síria, porém, disse que a questão ainda está sendo estudada pela cúpula militar. "A posição final acerca dessa questão será anunciada na quinta-feira", disse nota do ministério.

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Reuters
Mulher síria chora em campo de refugiados em Atimeh, na fronteira com a Turquia (23/10)


Eid al-Adha, conhecido como o festival do Sacrifício, celebra a disposição de Abraão de sacrificar seu filho, Ismael, como prova de obediência a Deus. De acordo com Lakhdar Brahimi, a trégua deve começar na sexta-feira e durar quatro dias. Rebeldes tinham lhe dito que, se o governo aceitasse o cessar-fogo, eles também aceitariam.

De acordo com Brahimi, ele quer que a trégua permita "o desenvolvimento de um processo político". O acordo com o governo sírio foi negociado durante sua recente visita a Damasco.

O anúncio oficial por parte do regime do presidente Bashar Al-Assad deve acontecer ainda nesta quarta-feira ou na quinta, segundo o enviado. "Se esse acordo modesto for bem-sucedido, esperamos construir em cima dele, para que possamos conversar sobre um cessar-fogo mais longo e sólido", afirmou. "Essa trégua deve ser parte de uma operação política", completou.

O acordo, porém, já enfrenta resistência entre milícias armadas na Síria. O grupo islamita Frente Al Nusra anunciou, por exemplo, disse que não respeitará o cessar-fogo temporário. "Não há trégua entre nós e esse regime descarado, que derrama sangue de muçulmano e viola sua honra. Entre nós e ele, só existe uma espada", ressaltou a rede tida como terrorista pelo presidente Bashar Al-Assad, em comunicado.

Nos últimos meses, a Frente Al Nusra, que surgiu durante o conflito sírio, assumiu a autoria de inúmeros atentados suicidas cometidos em Damasco e na cidade nortista de Aleppo.

Na nota, o grupo extremista afirmou que está decidido desde que começou suas operações a derrotar seus inimigos, evitando qualquer tipo de negociação.

Ataques

Na terça-feira, em uma ofensiva para liberar estradas controladas por rebeldes no norte da Síria, o exército de Assad bombardeou as vilas de Maaret Al-Numan e Mar Shamsheh, segundo relatos do Observatório Sírio para Direitos Humanos, entidade baseada em Londres.

As duas localidades são pontos-chave no caminho que liga Aleppo à capital Damasco. Não foram divulgados números de mortos ou feridos após o ataque.

Os rebeldes tomaram as duas vilas no começo do mês e contaram uma das principais rotas para envio de suprimentos às tropas de Assad localizadas no norte e no nordeste da Síria.

Com BBC

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