A duas semanas das eleições presidenciais, presidente dos EUA e candidato republicano discutem política externa

A duas semanas das eleições, o presidente dos EUA, o democrata Barack Obama , e seu rival republicano, Mitt Romney , começaram às 23h de Brasília desta segunda-feira seu último debate com foco na política externa, tema que não mobiliza o eleitorado americano como a economia, o déficit ou a assistência à saúde.

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Desde o início do debate, o líder americano se posicionou como o comandante-em-chefe dos EUA e, por isso, como alguém com mais capacidade para liderar o país. Durante sua primeira resposta no encontro, Obama pontou mudanças de postura de Romney durante a campanha para dizer que isso mostrava que o candidato republicano não é qualificado para sentar-se na cadeira presidencial. “Sempre que o senhor se pronuncia sobre política externa, erra. O senhor defendeu a invasão do Iraque em 2003, apesar de o país não ter armas de destruição em massa, e há apenas duas semanas disse que deveríamos ainda ter tropas no país”, disse Obama, pontuando que cumpriu sua promessa eleitoral de 2008 de retirar os soldados do país no ano passado.

O terceiro e último debate presidencial é mediado pelo jornalista Bob Schieffer, da rede CBS, na Universidade Lynn em Boca Raton, na Flórida, o maior dos Estados-pêndulo com 29 votos no Colégio Eleitoral. Nos EUA, os presidentes não são eleitos diretamente pela votação nacional, mas por disputas estaduais que correspondem a votos no Colégio Eleitoral . Em eleições apertadas, os chamados Estados-pêndulo – que não são tradicionalmente republicanos ou democratas – são essenciais nas urnas.

A duas semanas das eleições dos EUA candidatos discutem política externa
AP
A duas semanas das eleições dos EUA candidatos discutem política externa

Apesar de pesquisas indicarem que as questões de política externa não são prioritárias para a maioria dos eleitores, as campanhas trabalham essa temática com o objetivo de mostrar quem tem mais condições de liderar o país.

Como retirou as tropas americanas do Iraque e diminuiu o envolvimento dos EUA no Afeganistão, além de ter liderado como comandante-em-chefe a operação que matou o terrorista Osama bin Laden em maio do ano passado, Obama é normalmente apresentado pelos seus partidários como “um líder firme e forte”. No debate, Obama tem o desafio de defender seu histórico ao mesmo tempo questionando a capacidade de Romney de liderar em um mundo complexo.

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Já Romney, cuja experiência em política externa é limitada por ter tido como último cargo público o governo do Estado de Massachussetts (2003-2007), vem se diferenciando de Obama mais no tom do que na substância. “A América está com uma posição fraca no mundo, com nossa segurança ameaçada, nossos aliados incrivelmente isolados e nações hostis fortalecidas”, disse sua campanha em um memorando divulgado antes do debate. “Como presidente, Romney fará a diferença onde Obama fracassou”, acrescentou o documento.

No encontro, Romney tem como tarefa apresentar-se como uma alternativa confiável e pôr fim à má impressão deixada por uma viagem marcada por gafes a Londres, Jerusalém e Polônia em julho.

Em semanas recentes, a campanha de Romney utilizou a morte no mês passado de quatro americanos no consulado dos EUA na Líbia, incluindo o embaixador americano Christopher Stevens, e a violação da Embaixada dos EUA no Cairo como prova do fracasso da liderança mais ampla do país no Oriente Médio sob o comando de Obama. O ataque, inicialmente descrito pelo governo americano como uma reação a um vídeo crítico ao Profeta Maomé, na verdade foi planejado com antecipação, com informações de que o Departamento de Estado foi alertado sobre o assunto.

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Pesquisas indicam que Obama ainda continua forte em política externa. De acordo com uma pesquisa de segunda-feira da Universidade Quinnipiac/ CBS News, o líder americano tem uma vantagem de sete pontos porcentuais sobre seu concorrente.

O encontro na Flórida põe fim à temporada de debates, com mais de 60 milhões de espectadores tendo assistido cada um dos dois anteriores. Com um forte desempenho no primeiro, no dia 3, Romney conseguiu impulsionar sua campanha e atualmente está empatado nas pesquisas com Obama. Apesar de ter melhorado sua atuação no segundo, no dia 16, o presidente americano não conseguiu reverter essa tendência. Assim, as eleições de 6 de novembro prometem ser uma das mais acirradas da história americana.

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