Obama deixa Romney na defensiva em debate sobre política externa

Em terceiro e último encontro com rival republicano, presidente defende ser único candidato com credenciais para liderar EUA

Leda Balbino , enviada especial a Washington D.C. | - Atualizada às

A duas semanas da eleição, o presidente americano, o democrata Barack Obama , defendeu nesta segunda-feira ser o único candidato com credenciais suficientes para liderar os EUA no último debate com seu rival republicano, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney . O terceiro e último embate ocorreu na Universidade Lynn em Boca Raton, na Flórida. Com 29 votos no Colégio Eleitoral , a Flórida é o maior dos Estados-pêndulo, que são disputados voto a voto por não serem tradicionalmente republicanos nem democratas.

Com pesquisas mostrando que sua reeleição em 6 de novembro está em risco, Obama desde o início se posicionou como o atual comandante-em-chefe dos EUA e pôs em dúvida o conhecimento de seu rival em política externa, tema do debate de 90 minutos – que não mobiliza o eleitorado americano como a economia, o déficit ou a assistência à saúde.

Primeiro debate:  Obama e Romney travam batalha sobre economia em debate

Segundo debate:  Obama e Romney protagonizam debate agressivo nos EUA

Reuters
Obama e Romney se cumprimentam no último debate, realizado na Universidade Lynn em Boca Raton, na Flórida

Logo no início, Obama acusou Romney de errar repetidamente em questões de política externa, pontuando que o republicano apoiou a invasão do Iraque em 2003, “apesar de o país não ter armas de destruição em massa”, opôs-se aos planos do atual governo de retirar as tropas do país árabe, fez declarações conflitantes em relação ao Afeganistão e se declarou contrário a tratados nucleares com a Rússia. “Sempre que o senhor se pronuncia sobre política externa, erra”, disse.

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Com uma postura diferente do primeiro debate , quando pareceu hesitante e distraído ao olhar para baixo e fazer anotações enquanto seu rival falava, Obama apresentou-se de forma firme e fez contato visual com o republicano ao mesmo tempo em que o acusava de não ter posições consistentes. “Qualquer que seja o assunto – Irã, Iraque, Afeganistão, Israel –, o senhor não tem uma posição concreta”, disse.

O líder americano rejeitou a acusação de Romney de que quer fazer cortes militares no valor de US$ 1 trilhão, afirmando que os gastos no setor são “dirigidos pela estratégia”, e não pela política, e precisam ter como base as capacidades militares, e não apenas os orçamentos.

Após Romney defender que se aumentasse o número de navios da Marinha com a justificativa de que a frota do país é a menor desde 1971, Obama reagiu afirmando que isso se devia ao fato de a tecnologia ter mudado a natureza militar. “Não sei o quanto o senhor tem acompanhado do Exército, mas hoje também temos menos cavalos e baionetas. Temos essas coisas chamadas porta-aviões, onde jatos pousam, e esses navios que ficam sob a água – os submarinos nucleares.”

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Romney reagiu acusando Obama de ter perdido uma oportunidade na Primavera Árabe – movimentos populares contra autocracias no Oriente Médio e norte da África – e de não fazer o suficiente para coibir o extremismo islâmico nas democracias nascentes desses países. Ele também acusou Obama de enviar os sinais errados aos líderes iranianos ao realizar um “tour de pedido de desculpas” no início de sua presidência e não incluir Israel. "O senhor foi ao Oriente Médio, visitou o Egito, a Arábia Saudita e a Turquia, mas não Israel – nosso maior aliado na região.”

Obama aproveitou o comentário para lembrar uma viagem marcada por gafes que Romney fez a Londres, Jerusalém e Polônia em julho. “Quando visitei Israel, não fui para me encontrar com doadores”, disse em referência ao fato de o republicano ter participado de um evento de arrecadação de fundos eleitorais quando estava no Estado judeu. Na ocasião, Romney exasperou os líderes palestinos ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel e não mencionar a ocupação nos territórios ao sugerir que o desenvolvimento econômico israelense se devia a uma superioridade cultural do país.

Ambos, porém, destacaram seu apoio a Israel contra a ameaça nuclear iraniana. “Se Israel for atacado, o defenderemos”, disse Romney momentos depois de Obama prometer: “Estarei com Israel se o país for atacado.”

Apesar de o principal foco do debate ter sido política externa, houve momentos em que os candidatos concentraram a discussão na lenta recuperação da economia americana, a principal preocupação para a maioria dos eleitores. Mas embora não seja prioritária, a temática de política externa é trabalhada pelas campanhas com o objetivo de mostrar quem tem mais condições de liderar o país.

Como cumpriu sua promessa de campanha de 2008 de retirar as tropas americanas do Iraque e diminuir o envolvimento dos EUA no Afeganistão, além de ter aprovado a operação que matou o terrorista Osama bin Laden em maio do ano passado, Obama é normalmente considerado mais forte nas questões de política externa.

De acordo com uma pesquisa de segunda-feira da Universidade Quinnipia/ CBS News, o líder americano tem uma vantagem de sete pontos porcentuais sobre seu concorrente. Romney, cuja experiência em política externa é limitada por ter tido como último cargo público o governo de Massachussetts entre 2003 e 2007, tinha no debate o desafio de apresentar-se como uma alternativa confiável em relação a Obama.

O encontro na Flórida põe fim à temporada de debates, com mais de 60 milhões de espectadores tendo assistido cada um dos dois anteriores. Com um forte desempenho no primeiro, no dia 3, Romney conseguiu impulsionar sua campanha e atualmente está empatado nas pesquisas com Obama. Apesar de ter melhorado sua atuação no segundo, no dia 16, o presidente americano não conseguiu reverter essa tendência. Assim, as eleições de 6 de novembro prometem ser uma das mais acirradas da história americana.

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