Mianmar: violência entre budistas e muçulmanos deixa ao menos dois mortos

Ministério da Informação afirma que conflitos ainda não foram controlados pelas autoridades

iG São Paulo |

Novos confrontos entre muçulmanos e budistas eclodiram no estado de Rakhine, na região oeste de Mianmar, deixando ao menos dois mortos e mais de mil de casas incendiadas nesta terça-feira. O Ministério da Informação afirmou que os conflitos violentos não foram completamente controlados pelas autoridades locais e que o número de vítimas pode aumentar.

Desde domingo, focos de confrontos entre a seita muçulmana Rohingya e um grupo de budistas da etnia Rakhine já haviam sido registrados com três mortos. O conflito é o incidente mais grave desde junho, quando tropas governamentais desalojaram cerca de 70 mil pessoas na região oeste do país.

AFP
Família muçulmana em campo para desabrigados em Mianmar

Segundo o governador do estado de Rakhine, o general Hla Thein, as áreas onde os principais confrontos foram registrados não são acessíveis por veículos. Desde segunda-feira há um toque de recolher após o pôr do sol em Sittwe, capital da província.

Os episódios desta semana acontecem quatro meses após membros da etnia Rakhine acusarem três muçulmanos de terem estuprado uma mulher budista em maio. Na época houve graves ataques entre ambos os grupos que deixaram ao menos 90 mortos e mais de 3 mil casas destruídas. As duas seitas continuam segregadas nas principais cidades dos estados da região oeste de Mianmar. Em Sittwe, muçulmanoss foram expulsos de sua casa e vivem em áreas rurais.

A disputa entre os dois grupos étnicos, porém, é mais antiga. Desde os períodos que levaram à construção do país, os muçulmanos são tidos como estrangeiros que vieram de Bangladesh para roubar terrenos em Mianmar. As Nações Unidas estima que haja pelo menos 800 mil islâmicos na região. 

As autoridades de Mianmar, porém, negam cidadania aos muçulmanos, assim como Bangladesh, e não contabilizam sua população. O país possui mais 135 etnias diferentes.

Com AP

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