Líbano tem novos confrontos entre seitas pró e contra presidente da Síria

Conflito entre sunitas e alauítas, que apoiam Bashar Al-Assad, deixa ao menos quatro mortos

iG São Paulo |

Quatro pessoas morreram e 15 ficaram feridas em trocas de tiros durante a madrugada desta terça-feira, na cidade libanesa de Trípoli. Esta é a segunda noite de confrontos entre homens armados da seita sunita, contrária à guerra na Síria, e da seita alauíta, cuja maioria apoia o presidente sírio Bashar Al-Assad. As informações foram transmitidas pelas forças de segurança libanesa à agência Reuters.

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Na capital Beirute, a tensão diminuiu depois que tropas tomaram as ruas da cidade e expeliram grupos armados que haviam entrado em confronto com soldados libaneses na noite de domingo.

AP
Homens carregam o corpo de um jovem de 20 anos, morto no confronto entre sunitas e alauítas em Beirute, no Líbano

Os conflitos internos tomaram forma depois do atentado à bomba que matou, na sexta-feira, o general Wissam al-Hassan, chefe dos serviços de inteligência libanês e um dos críticos mais ferrenhos da guerra civil na Síria.

Os confrontos também desencadearam uma crise política, com a oposição exigindo a renúncia do gabinete do primeiro-ministro Najib Mikati, de maioria pró-Damasco. Os combates em Trípoli, cidade natal de Mikati, ocorreram entre as áreas vizinhas de Bab al-Tabbaneh, uma base sunita muçulmana, e Jebel Mohsen, um bairro alauíta.

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Na manhã desta terça-feira, o centro de Trípoli estava movimentado e o tráfego seguia livremente, mas a cidade permanecia instável. Soldados com capacetes e coletes à prova de bala mantinham vigilância. Tanques e veículos blindados equipados com metralhadoras pesadas estavam estacionados nas ruas.

Os sunitas muçulmanos de Trípoli apoiam os rebeldes sírios que lutam para derrubar Bashar al-Assad. O presidente sírio é um membro da seita alauíta, uma ramificação do islamismo xiita. Ele conta com o apoio do Hezbollah, um poderoso grupo islâmico armado que faz parte do governo de Mikati, assim como outras minorias dentro complexa e sectária estrutura política do Líbano.

A violência durante a noite em Trípoli elevou o número de mortos para pelo menos 10, com 65 feridos desde sexta-feira.

O Líbano ainda é assombrado pela guerra civil de 1975-1990, que tornou Beirute local de carnificinas e destruiu grande parte da cidade. Muitos libaneses temem que a guerra síria empurra seu país de volta àqueles dias, destruindo os esforços para reconstrui-lo como um dos principais centros de comércio, finanças e turismo na região.

Políticos da oposição acusaram a Síria de estar por trás do assassinato do general Hassan, que tinha trabalhado para conter a influência síria no Líbano.

Muçulmano sunita, Hassan ajudou a descobrir um plano de atentado que levou à prisão e indiciamento em agosto de um ex-ministro libanês pró-Assad. Ele também liderou uma investigação que implicou a Síria e o Hezbollah no assassinato em 2005 de Rafik al-Hariri, ex-primeiro ministro do Líbano.

Com Reuters

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