Perdão governamental vale para crimes cometidos antes de 23 de outubro, exceto os de terrorismo - do que são acusados os rebeldes que lutam contra Assad

O presidente sírio, Bashar Al-Assad, decretou nesta terça-feira uma "anistia geral" que exclui os crimes cometidos por "terroristas", termo utilizado por ele para designar os rebeldes que lutam contra seu regime desde o ano passado.

De acordo com a TV estatal, a anistia vale para crimes cometidos antes de 23 de outubro e, além de "terroristas", também exclui "criminosos fugitivos", exceto no caso de rendição.

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Rebelde sírio é visto em frente a muro em Aleppo no qual se lê a frase:
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Rebelde sírio é visto em frente a muro em Aleppo no qual se lê a frase: "Lutaramos até o fim" (10/09)

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, órgão com sede no Reino Unido, dezenas de milhares de civis foram detidos e outros milhares desapareceram nas celas do regime desde o início da revolta contra Assad, em 15 de março de 2011, sem contar os milhares de soldados que tentaram desertar nos últimos meses.

Esta não é a primeira vez que Assad adota uma anistia desde o início da revolta na Síria, em março de 2011. Em ocasiões anteriores o presidente ordenou anistias que beneficiavam os presos que não foram condenados por crimes graves.

Assad determinou o perdão dias antes da data proposta pelo mediador internacional Lakhdar Brahimi para o início de uma trégua durante a festa muçulmana do Sacrifício, que começará na sexta-feira.

Em uma tentativa de conseguir um compromisso mínimo das partes, Brahimi pediu no domingo em Damasco que o regime e os rebeldes aplicassem separadamente uma iniciativa de cessar-fogo durante o "Eid al Adha" (Festa do Sacrifício).

Durante reunião com Brahimi, Assad apoiou os esforços do mediador e disse que estava aberto a qualquer iniciativa que respeitasse a soberania da Síria e rejeitasse ingerências estrangeiras. Sobre a trégua, o principal grupo da oposição armada, o Exército Livre Sírio (ELS), pediu passos concretos do regime para demonstrar suas boas intenções.

Com AFP

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