Chefe de inteligência no Líbano recebeu ameaças pelo celular, diz oposição

Membros do partido Movimento Futuro, critico ao governo de Bashar Al-Assad na Síria, também foram ameaçados de morte

iG São Paulo |

O ex-chefe dos serviços de inteligência do Líbano, Wissam Al-Hassan - morto em um atentado a bomba na semana passada em Beirute -, havia recebido ameaças por mensagem via celular. A informação foi revelada por um membro do parlamento libanês que não quis se identificar à rede CNN. Segundo ele, outros membros da oposição também receberam ameaças.

EFE
Enterro do general Wissan al-Hassan, morto em atentado em Beirute, reúne milhares

De acordo com membros do partido Movimento Futuro, as ameaçadas destinadas a Wissam Al-Hassan foram enviadas de um número celular da Síria. Outros quatro parlamentares do mesmo partido também receberam as mesmas mensagens no dia em que o chefe dos serviços de inteligência foi assassinado.

Al-Hassan, um dos principais críticos ao governo de Bashar Al-Assad na vizinha Síria, havia sido convocado para uma reunião para tratar justamente dessas ameaças por celular. O encontro estava marcado para a última sexta-feira, o dia do atentado que vitimou ao menos três pessoas e deixou dezenas de feridos.

Um dia depois, uma nova mensagem foi enviada para membros do partido Movimento Futuro, que condenou veementemente o uso de força pelo exército sírio no conflito civil do país. O texto enigmático dizia: "Mabruk (parabéns, em árabe), a contagem regressiva começou. Um de dez."

Funeral

Parte da multidão que compareceu ao funeral do ex-chefe de inteligência do Líbano neste domingo, em Beirute, entrou em choque com a polícia, em meio à crescente tensão no país. O velório de Wissam al-Hassan causou indignação entre diversos libaneses, que culpam o regime da Síria pelo ataque .

Milhares de pessoas foram às ruas de Beirute. Alguns compareceram ao funeral portando bandeiras libanesas e faixas contra o presidente sírio, Bashar al-Assad. Neste domingo, os manifestantes tentaram invadir a sede do governo libanês, e a polícia disparou gás lacrimogêneo para conter a multidão.

Muitos temem que a violência na Síria - que começou em março do ano passado, com tentativas de insurgentes de derrubar al-Assad - possa se espalhar agora para o Líbano, onde a população está dividida em relação ao conflito.

O Exército da Síria esteve presente no Líbano por 29 anos, até 2005. Além disso, historicamente o Líbano virou palco de conflitos violentos influenciados por eventos nos países ao seu redor, como Síria e Israel. "Nós estamos aguardando a queda do regime sírio. Até que isso aconteça, não poderá haver paz no Líbano", disse à BBC uma das manifestantes que compareceu ao funeral de al-Hassan neste domingo.

Com CNN

    Leia tudo sobre: líbanobeirutewissan al-hassansíriabashar al-assad

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG