Premiê libanês oferece cargo após atentado mas é mantido

Oposição no Líbano culpa Síria por explosão de carro-bomba em Beirute que matou o diretor da agência de inteligência do país

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O premiê do Líbano, Najib Mikati, colocou seu cargo à disposição neste sábado em uma reunião de emergência sobre o atentado com carro-bomba ocorrido em Beirute da sexta-feira, que matou o diretor da agência de inteligência do país. No entanto, o presidente Michel Suleiman não aceitou a renúncia e pediu que Mikati continue no cargo. O premiê disse que aceitou o pedido do presidente e que o país precisa agora permanecer "unido, forte e com segurança".

O ataque: Explosão deixa ao menos oito mortos e dezenas de feridos em Beirute

O atentado da sexta-feira matou oito pessoas e feriu 12 , incluindo Wissam al-Hassan, que dirigia o serviço de inteligência interna. Neste sábado, políticos libaneses anti-Síria acusaram o governo de Damasco de estar por trás do ataque. Os líderes da oposição, Saad Hariri, e dos drusos, Walid Jumblatt, disseram que o governo do presidente sírio Bashar al-Assad foi responsável pelo atentado. A coalizão de partidos liderada por Hariri pediu que o governo libanês renuncie e movimentos ligados à oposição foram às ruas em protesto e montaram barricadas, com pneus queimados.

O ataque ocorreu no distrito de Ashrafiya, de maioria cristã, em uma rua movimentada próximo à sede da coalizão 14 de Março, liderada por Saad Hariri. Este foi o pior atentado na capital libanesa em quatro anos e destruiu a fachada de diversos prédios. Hassan era próximo a Hariri, um dos principais críticos do regime sírio. Foi ele quem liderou a investigação que concluiu que o governo sírio participou do atentado de 2005 que matou o ex-premiê Rafik Hariri, pai de Saad. O trabalho de Hassan também levou à prisão recente de um ex-ministro acusado de planejar um atentado no Líbano sob ordens do regime sírio.

AFP
Em protesto contra atentado foram montaram barricadas em algumas ruas com pneus queimados

Divisão
As comunidades religiosas no Líbano estão divididas entre apoiadores e críticos do presidente sírio, Bashar al-Assad. A tensão tem crescido com o conflito no país vizinho. "Nós acusamos Bashar al-Assad de assassinar Wissam al-Hassam, o fiador da segurança dos libaneses", disse Saad Hariri, em discurso na televisão libanesa.

Já Jumblatt disse à televisão Al-Arabiya: "[Al-Assad] está nos dizendo que mesmo que ele tenha levado a Síria à ruína, 'eu estou pronto para matar em qualquer lugar'".

O parlamentar Nadim Gemayel, do movimento de direita Partido da Falange Cristã, também acusou Síria e Assad. "Este regime, que está desmoronando, está tentando exportar seu conflito para o Líbano", afirmou.

Contexto: Revolta na Síria provoca confrontos sectários no Líbano 

O movimento 14 de Março divulgou uma nota na qual acusa o governo local de proteger "criminosos", e exigindo a renúncia dos principais líderes libaneses.

O movimento Hezbollah, que é aliado do regime sírio, condenou a violência. O ministro sírio da informação, Omran al-Zoubi, disse que se tratou de um ato "covarde e terrorista" e que esses incidentes são "injustificáveis, seja onde for".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, pediu que todos os partidos libaneses "não sejam provocados por atos terroristas hediondos". A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, afirmou que o ataque à bomba é "um sinal perigoso de que existe gente que continua tentando afetar a estabilidade do Líbano".


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