França parou de monitorar atirador de Toulouse apesar de atividades suspeitas

Documentos secretos revelados pelo jornal Le Monde indicam que serviço secreto francês sabia que Mohamed Merah representava uma possível ameaça terrorista

iG São Paulo |

O serviço secreto da França deixou de monitorar Mohamed Merah, de 24 anos, autor de um ataque contra uma escola judaica em Toulouse e de dois atentados contra militares na França, apesar de ligação com grupos terroristas ser evidente. A afirmação é do jornal Le Monde, que teve acesso a documentos sigilosos trocados entre a polícia e o governo francês.

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Imagem capturada de vídeo mostra o suspeito pelos ataques na França, Mohamed Merah. Imagem foi publicada pelo jornal Le Figaro com crédito para a France 2

Segundo a publicação francesa, relatórios emitidos pelo serviço secreto mostram que Mohamed Merah teve sucesso em esconder suas atividades por algum tempo e que parte dos documentos sugerem que as suspeitas sobre o jovem de origem argelina eram fundamentadas.

Veja também: Suspeito de ataques na França era monitorado havia anos

De acordo com as investigações posteriores aos ataques que mataram sete pessoas na cidade de Tolouse, Merah era monitorado pelo serviço secreto desde 2006.

Os primeiros relatórios que apontam Merah como uma ameaça à sociedade foram trocados pelo esquadrão de inteligência da polícia francesa e o governo em março de 2011. Em um desses documentos, um oficial afirma que o suspeito raramente deixava sua residência e estava ficando bastante paranóico. Ele não tinha acesso a internet, celular e apenas ligava de telefones públicos. Foram registradas 1,8 mil ligações para 180 contatos em 28 países diferentes.

Em outro relatório de abril de 2011, o oficial descreve Merah como uma pessoa violenta com mulheres que desrespeitavam as leis islâmicas radicais. Segundo o mesmo documento, o jovem de 24 anos glorificava o assassinato de "ocidentais infiéis" em canções que ele mesmo compunha. Também foram registradas diversas viagens ao Oriente Médio.

O Le Monde também afirma que Merah mantinha contato com grupos jihadistas baseados na Inglaterra. O último questionamento policial foi realizado em novembro de 2011 - uma semana depois, o serviço secreto francês deixou de monitorá-lo.

O juiz Christophe Teisseir, que investiga o caso, se disse surpreso com a decisão. Para ele, Merah tinha o perfil típico de uma ameaça terrorista: era independente, radical e tentava de qualquer maneira encobrir suas atividades suspeitas.

Após os atentados, Merah foi morto com um tiro na cabeça disparado por um atirador de elite no dia 22 de março. A ação policial que resultou na morte do terrorista durou 32 horas.

Com BBC

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