Explosão deixa ao menos oito mortos e dezenas de feridos na capital do Líbano

Carro-bomba é detonado na região leste de Beirute, destruindo prédios e incendiando carros; responsável e motivação são desconhecidos

iG São Paulo | - Atualizada às

A explosão de um carro-bomba deixou ao menos oito mortos e dezenas de feridos nesta sexta-feira no leste de Beirute, capital do Líbano. Prédios ficaram destruídos, carros pegaram fogo e muito sangue foi visto no local do ataque, cuja motivação é desconhecida. Nenhum grupo assumiu a responsabilidade. Entre as vítimas,está Wissam Al-Hassan, chefe dos serviços de inteligência no país.

AP
Equipes de resgate carregam menina ferida em explosão em Beirute, no Líbano

O carro foi detonado em um bairro predominante cristão e cerca de 200 metros da sede de um partido cristão anti-Síria, mas não está claro se o local era o alvo. A explosão acontece no momento em que as tensões aumentam no Líbano por causa da revolta popular no país vizinho, que dura 18 meses.

O Líbano e a Síria dividem uma complexa rede de laços e rivalidades políticas e sectárias. De um lado estão muçulmanos sunitas que apoiam os rebeldes sírios e de outro estão integrantes da pequena seita alawita, a mesma do presidente Bashar Al-Assad, a quem defendem.

Leia também: Revolta na Síria provoca confrontos sectários no Líbano

Saiba mais: Veja o especial do iG sobre as revoltas no mundo árabe

A explosão ocorreu durante o horário de pico, quando muitos pais estão buscando seus filhos na escola. Moradores correram em pânico procurando por parentes, enquanto outros ajudavam a carregar os feridos para as ambulâncias.

"Eu estava em uma rua próxima quando ouvi uma enorme explosão e resolvi correr para cá", disse o morador Elie Khalil à Associated Press. O ministro da saúde, Ali Hussein Khalil, pediu que os hospitais aceitem os feridos neste "ataque terrorista".

AP Photo/Gregory Bull
Wissam Al-Hassan, chefe dos serviços de inteligência no Líbano, estava entre os mortos (arquivo)

Entre os mortos no atentado, está Wissam Al-Hassan, chefe dos serviços de inteligência na principal força de segurança do Líbano. Ele era bastante próximo do líder da oposição Saad Hariri, que condenava publicamente o governo de Bashar Al-Assad e o conflito na vizinha Síria.

O brigadeiro-general também foi responsável pela prisão do ex-ministro da Informação, Michel Samaha, um dos principais apoiadores de Assad no país. Segundo investigações, Samaha havia planejado vários atentados a bomba para desestabilizar a comunidade cristã no Líbano.

Autoria

Considerado um dos principais suspeitos logo após o ataque, o grupo xiita Hezbollah declarou que não possui qualquer ligação com a explosão desta sexta-feira e condenou a violência contra civis. "Estamos em estado de choque por causa deste terrível ato terrorista", disse a organização em um comunicado oficial.

O Líbano foi palco de uma série de explosões desde 2005, quando um enorme ataque suicida matou o ex-primeiro-ministro Rafik Harir e mais de 20 pessoas em Beirute. O último grande ataque foi em 2008. Desde então, a situação se acalmou.

"Estou muito preocupado com o país depois dessa explosão", disse Charbel Khadra, morador de Beirute. "Tenho medo de as explosões voltarem. Essa é só a primeira."

Com AP

    Leia tudo sobre: líbanobeirute

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG