Na reta final, novo fôlego à campanha democrata

Bom desempenho no último debate deixa Obama em posição mais confortável a três semanas da eleição

Brasil Econômico - Cláudia Bredarioli | - Atualizada às

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Subiu — e muito — a temperatura da disputa entre Barack Obama e Mitt Romney na corrida pelo cargo mais alto da Casa Branca depois do segundo debate entre os presidenciáveis realizado na terça-feira à noite. O presidente americano e candidato democrata voltou a dar as cartas e, com isso, retomou também sua posição de líder na disputa. Com isso, o republicano Romney perde a parca vantagem alcançada depois do primeiro encontro frente a frente na TV entre os dois candidatos.

E a expectativa de especialistas é que nas próximas três semanas que antecedem o dia da eleição - 6 de novembro - o clima continue aquecido, com acirramento da campanha. O ápice dessa rivalidade pode ficar evidente no último debate entre os candidatos, que será realizado no próximo dia 22, na Flórida.

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Direto dos EUA: Obama e Romney protagonizam debate agressivo

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“Não é à toa que esse embate acontecerá na Flórida - um Estado decisivo na disputa e onde ainda há muitos eleitores indecisos”, avalia Marcelo Zorovich, professor do curso de Relações Internacionais da ESPM.

“Nessa eleição o país está muito dividido. É difícil dizer o que vai acontecer. A maioria das pesquisas ainda aponta diferenças de desempenho entre os candidatos que estão dentro das margens de erro”, acrescenta Alexandre Barros, especialista do Instituto Millenium.

Na quarta-feira, porém, a repercussão que se viu na imprensa americana foi completamente favorável a Obama. “O presidente atacou, atacou e atacou mais uma vez”, declarou o jornal The New York Times, enquanto o site Politico fez uma comparação com o clássico do cinema “Guerra nas Estrelas” com a manchete “Obama contra-ataca”. O jornal conservador The Wall Street Journal considerou que, com o rendimento do presidente, “o debate (voltou) a mudar a trajetória da campanha”.

O bom desempenho do democrata recebeu tamanho destaque desta vez porque a atuação apática de Obama no debate anterior , em Denver, foi seguida de queda nas pesquisas, permitindo que, pela primeira vez em um ano, Romney o ultrapassasse em alguns levantamentos.

Há percepção de que os debates raramente afetam o resultado de eleições presidenciais nos EUA, mas este ano pode ser uma exceção. Obama voltou a crescer nos últimos dias, segundo as pesquisas diárias Reuters/Ipsos. No levantamento divulgado na terça-feira, o presidente apareceu com 3 pontos percentuais de vantagem.

“O desempenho no debate de terça-feira dará ao presidente um pouco de impulso e um pouquinho de vantagem, mas vai ser bem apertado lá no final”, disse Michael Desch, professor de Ciência Política da Universidade Notre Dame.

É por isso que especialistas preveem um processo complicado de apuração dos votos nessa eleição, que poderá até repetir cenas como as que envolveram a recontagem de votos na Flórida, no ano 2000, na disputa entre Al Gore e George W. Bush.

Cerca de 10% dos eleitores americanos já votaram, segundo dados da Reuters/Ipsos, e essa cifra vai crescer fortemente com o início das operações das campanhas para convencer os eleitores a saírem de casa para votar. Muitos Estados permitem a votação antecipada, pessoalmente ou pelo correio.

Política externa

Da mesma forma que os debates na TV - ao contrário do que normalmente ocorre - têm ganhado mais importância nesta eleição, o tema do próximo encontro televisionado entre os presidenciáveis - as questões de política externa —-talvez possa ganhar um novo status, caso o cenário de indefinição na disputa se mantenha até lá.

O tema raramente tem grande impacto sobre as eleições presidenciais americanas. Às vezes, ele traz alguma vantagem para o presidente que é também candidato, porque ressalta sua experiência e porque oferece oportunidade para representar a nação como um todo.

Será somente na abordagem dessa questão que devem vir à tona os pontos que mais interessam ao Brasil e às possibilidades para o comércio bilateral entre os dois países. Por ora, os principais temas sobre política externa abordados pelos candidatos têm sido focados no Oriente Médio e na China.

A América Latina, por exemplo, foi citada apenas tangencialmente por Romney no último debate na TV. Ele revelou que deseja firmar mais acordos de livre comércio entre os EUA e a América Latina. O republicano destacou que essa corrente de comércio tem crescido em 12% de maneira consistente nos últimos anos, uma cifra que aumentará com a assinatura de novos tratados.

Com Reuters e AFP

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