Capitão do Concórdia se recusa a aceitar culpa de naufrágio sozinho

Francesco Schettino, em depoimento pré-julgamento, admitiu ter cometido muitos erros, mas que não era o único culpado no caso

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O capitão do navio Costa Concordia, Francesco Schettino, depôs na quinta-feira numa audiência preliminar do processo no qual é réu e se recusou a aceitar a culpa isolada pelo naufrágio que matou 32 pessoas neste ano.

Schettino é acusado de negligência, homicídio culposo e de abandonar o barco antes de concluída a retirada dos mais de 4.000 passageiros e tripulantes. Ele admitiu ter cometido muitos erros, mas diz que não foi o único culpado.

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Francesco Schettino, capitão do Costa Concordia, deixa audiência em Grosseto, na Itália

"Estamos tentando descobrir exatamente o que aconteceu", disse o advogado dele, Francesco Pepe, a jornalistas durante um intervalo na sessão a portas fechadas, na localidade italiana de Grossetto. "Mas, de qualquer forma, o mais importante é que todos assumirão sua parcela de responsabilidade nesse incidente", sentenciou.

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Marco de Luca, advogado da empresa proprietária do navio, a Costa Cruzeiros, disse que Schettino apresentou seus argumentos "com determinação" aos peritos presentes no tribunal. "Para mim, ele parecia combativo, assim como sua equipe de defesa, como deveriam estar", afirmou De Luca a jornalistas.

Promotores dizem que Schettino causou o acidente por se aproximar demais com o navio das pedras em torno da ilha de Giglio, na costa toscana, em 13 de janeiro. Schettino alega que evitou uma tragédia maior ao manobrar a embarcação para águas mais rasas.

Ele também disse que a companhia sabia da prática de chegar com o navio perto da costa para "saudar" moradores e autoridades em terra - algo que a Costa Cruzeiros nega.

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Turistas a bordo de balsa observam navio semissubmerso Costa Concordia na área costeira da Ilha de Giglio, Itália (9/4)

Um aparelho que monitora a profundidade da água havia sido desligado antes de o navio de cruzeiro Costa Concordia atingir uma pedra e afundar na costa italiana, em janeiro, disseram testemunhas em uma audiência pré-julgamento de terça-feira.

A Costa Cruzeiros disse na audiência que o navio tinha sido equipado com mais sistemas de radar do que o necessário, e que um número suficiente deles estava em operação para atender aos requisitos legais.

O Codacons, um grupo de direitos do consumidor que está envolvido no caso, afirmou que eram necessárias mais informações sobre o estado do equipamento do navio antes do desastre.

"Todos esses aspectos, se estivessem funcionais, poderiam eventualmente ter compensado os efeitos negativos das ações do capitão Schettino e ajudado a evitar a perda de vidas humanas, mesmo que o navio tivesse afundado de qualquer jeito", disse Giuliano Leuzzi, um advogado do Codacons.

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