Governo colombiano e rebeldes das Farc participam de primeira reunião em Oslo

Líderes da Colômbia desembarcaram nesta quarta-feira na capital da Noruega e fizeram a primeira de uma série de reuniões com militantes das Farc para concluir acordo de paz

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Uma histórica reunião a portas fechadas marcou na quarta-feira a segunda fase do processo de paz entre o governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômiba (Farc), segundo autoridades da Noruega, país que abriga esta fase do diálogo.

O presidente Juan Manuel Santos espera que, após dez anos de ofensiva militar patrocinada pelos Estados Unidos, as Farc estejam suficientemente enfraquecidas a ponto de buscarem a paz com mais seriedade do que em tentativas anteriores.

Os negociadores de ambas as partes foram encaminhados para uma ala VIP do aeroporto de Oslo e levados para um local não revelado, por volta de meio-dia, e a imprensa está completamente vetada nas reuniões programadas para hoje e quinta-feira, segundo a chancelaria norueguesa.

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Humberto de la Calle Rangel (centro) é o líder da comitiva que representa o governo da Colômbia na Noruega

Santos, ex-ministro da Defesa, anunciou em setembro que os dois lados negociarão em Cuba os termos para uma pauta preliminar, que previa o início das discussões em Oslo e sua posterior transferência para Havana.

Os cinco itens da pauta incluem assuntos delicados, como o narcotráfico, os direitos das vítimas do conflito, a propriedade fundiária, a participação política das Farc e o fim da guerra civil, que já dura quase cinco décadas.

Apesar das negociações, militares e rebeldes mantêm seus ataques, e as Farc recentemente atingiram instalações de energia e mineração. Santos rejeitou uma oferta de cessar-fogo durante o processo de paz.

Além de ser uma vitória pessoal para o presidente, o eventual sucesso das negociações deve aumentar a presença da Colômbia nas carteiras dos investidores, após o país passar anos sendo considerado um dos mais perigosos lugares do mundo para visitar ou fazer negócios.

Em 2002, por exemplo, o investimento estrangeiro direto na Colômbia foi de apenas 2 bilhões de dólares, enquanto neste ano deve alcançar os 17 bilhões.

Mas a eventual paz com as Farc não significaria de forma alguma o fim da violência na Colômbia, onde narcotraficantes e outros criminosos comuns - muitos deles oriundos da desmobilização de grupos paramilitares de direita - continuam operando.

Embora a maioria dos colombianos aprove as negociações, pesquisas mostram que mais de metade se oporia a um acordo que permita a participação de líderes das Farc na política, ou que anistie crimes cometidos durante o conflito.

Noruega e Cuba concordaram em atuar como países garantes das negociações, e representantes de Venezuela e Chile estarão presentes como observadores.

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