Ataque a consulado na Líbia provoca debate acalorado entre Obama e Romney

Morte de embaixador americano em Benghazi motiva troca de acusações e uma das discussões mais acirradas entre os candidatos no segundo debate presidencial

iG São Paulo |

O ataque que matou o embaixador dos Estados Unidos na Líbia em setembro motivou um dos momentos mais acalorados do segundo debate entre o presidente americano, Barack Obama, e seu rival republicano, Mitt Romney , que disputam as eleições de 6 de novembro. Romney tentou usar as diferentes versões dadas pela Casa Branca sobre o ataque contra o Consulado dos EUA em Benghazi para fazer uma crítica mais ampla à falta de liderança de Obama. Mas o presidente contra-atacou acusando o rival de politizar uma tragédia.

O ataque, inicialmente descrito pelo governo americano como uma reação a um vídeo crítico ao Profeta Maomé, na verdade foi planejado com antecipação , com informações de que o Departamento de Estado foi alertado sobre o assunto. Com isso, se tornou a maior vulnerabilidade do presidente em relação à política externa, um tema em que ele é melhor avaliado pelos eleitores do que Romney.

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AP
O republicano Mitt Romney e o democrata Barack Obama durante debate em Hempstead, Nova York (16/10)

Durante o debate, o  pronunciamento de Obama no dia seguinte à morte do embaixador Christopher Stevens esteve no centro da acalorada discussão. Romney disse que o presidente demorou a admitir que o episódio se tratava de um ataque terrorista e não da consequência de um protesto, mas Obama rebateu dizendo que o tinha feito em 12 de setembro, um dia depois da tragédia, quando falou sobre o assunto no jardim da Casa Branca.

Romney rejeitou a declaração de Obama, dizendo que ele levou 14 dias para chamar o episódio de ataque terrorista. Em tom desafiador, Obama reafirmou o que tinha dito e acrescentou: “Pegue a transcrição”.

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Quando a moderadora do debate, a jornalista Candy Crowley, da CNN, disse que o presidente de fato tinha chamado o episódio de “ato de terror” no dia seguinte ao ataque, Obama afirmou: “Diga isso um pouco mais alto, Candy”. Romney pareceu desconcertado, ainda que, depois, a moderadora lhe tenha dado razão ao dizer que outras autoridades americanas continuaram atribuindo o episódio aos protestos.

De acordo com a transcrição do pronunciamento de 12 de setembro, a fala exata de Obama foi: “Nenhum ato de terror jamais irá balançar a resolução dessa grande nação, alterar o caráter ou ofuscar a luz dos valores nos quais acreditamos”.

Em entrevista após o debate na CNN, Crowley disse que seu comentário foi "uma coisa natural que saiu". Mas partidários de Romney presentes no auditório ficaram indignados . "Candy estava errada, não tinha nada que fazer isso e nem manteve o tempo (de fala de cada candidato) corretamente", disse John Sununu, ex-governador de New Hampshire.

Sugestão 'ofensiva'

Obama também pareceu desconfortável ao responder a pergunta que deu origem a toda a discussão: o motivo de sua administração não ter atendido o pedido de diplomatas para aumentar a segurança da Embaixada dos EUA em Trípoli, na Líbia. Desviando da pergunta, o presidente disse apenas que, quando foi informado do ataque em Benghazi, ordenou um reforço na segurança de todas as missões diplomáticas americanas na região.

Muitas vezes criticado por não demonstrar emoção, Obama pareceu especialmente irritado quando Romney o criticou por ter participado de eventos de campanha pouco depois da tragédia e discorreu sobre como sua equipe deu informações desencontradas à população. O democrata contra-atacou dizendo que a equipe de Romney divulgou um comunicado criticando a Casa Branca por sua resposta ao ataque em Benghazi quando ainda nem se sabia o que tinha acontecido com os funcionários.

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“A sugestão de que qualquer pessoa na minha equipe - seja a secretária de Estado, a embaixadora na ONU, qualquer pessoa – faria política ou enganaria (a população) quando perdemos quatro 'dos nossos', governador, é ofensiva”, disse Obama, olhando para o rival. “Não é isso que fazemos. Não é isso que faço como presidente, não é isso que faço como comandante-em-chefe.”

A troca de farpas aumenta a expectativa para o próximo e último debate, que abordará exclusivamente questões de política externa. O embate ocorrerá na segunda-feira, 22 de outubro, em Boca Raton, na Flórida.

Veja o vídeo da discussão sobre a Líbia (em inglês):

Com informações do New York Times

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