Karadzic nega crimes de guerra e diz ter 'reduzido sofrimento' na Bósnia

Apresentando sua defesa em Haia, ex-líder servo-bósnio afirma ser 'homem tolerante' que deveria ser 'recompensado' por esforços em prol da paz

iG São Paulo |

O ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic iniciou sua defesa nesta terça-feira em Haia dizendo que deveria ser "recompensado" por seus esforços em prol da paz, ao invés de ser acusado de crimes de guerra.

"Ao invés de ser acusado, eu deveria ser recompensado por todas as coisas boas que fiz", disse ele ao Tribunal Internacional para a Ex-Iugoslávia (TPII). "Fiz tudo que era humanamente possível para evitar a guerra. Consegui reduzir o sofrimento de todos os civis. Proclamei cessar-fogo e contenção militar numerosas vezes. E parei nosso Exército muitas vezes quando ele estava próximo da vitória."

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AP
Radovan Karadzic apresenta sua defesa contra a acusação de crimes de guerra em Haia

Promotores do TPII dizem que Karadzic foi responsável por bombardear a capital bósnia, Sarajevo, durante o cerco servo-bósnio de 1992 a 1996, e de ordenar o massacre de 8 mil muçulmanos na cidade de Srebrenica , em 1995. Esses fatos foram parte da guerra de independência da Bósnia, um dos conflitos associados à fragmentação da Iugoslávia na década de 1990.

Karadzic, de 67 anos, se defende por conta própria das acusações de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Falando com calma, Karadzic afirmou ser "um homem tolerante, com grande capacidade de entender os outros". "Conforme o tempo passa, as verdades ficam cada vez mais fortes e as acusações, a propaganda, as mentiras e o ódio ficam cada vez mais fraco", disse.

Ele é o terceiro líder sérvio submetido ao tribunal especial. O ex-comandante militar servo-bósnio Ratko Mladic foi levado a julgamento neste ano, e o ex-presidente sérvio e iugoslavo Slobodan Milosevic morreu em 2006, antes que terminasse de ser julgado.

Com Reuters

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