Venezuela anuncia fim da eleição, mas permite votos onde houver fila

Presidente do Conselho Nacional Eleitoral afirma que problemas com urnas eletrônicas atrasaram a votação em alguns centros eleitorais

iG São Paulo | - Atualizada às

Apesar de ter chegado ao fim o período de votações na Venezuela, alguns centros eleitorais permanecem abertos mesmo depois do horário originalmente previsto pelas autoridades locais. A presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, afirmou que enquanto houver filas, os mesários continuaram trabalhando. As longas esperas em diversas cidades do país foram causadas por problemas com urnas eletrônicas, que precisaram ser substituídas por cédulas de papel.

O pleito deste domingo opõe o carisma e popularidade do líder Hugo Chávez, no poder há 14 anos , contra as promessas do jovem opositor Henrique Capriles por mais empregos, segurança e igualdade.

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Venezuelanos celebram fim da votação nos principais centros eleitorais do país

Leia mais: Especial do iG sobre as eleições na Venezuela

Segundo a agência de notícias EFE, os primeiros resultados da eleição devem ser divulgados no início da madrugada de domingo para segunda-feira. No país, que conta com quase 19 milhões de eleitores cadastrados, o voto não é obrigatório e é proibida a pesquisa de boca de urna.

Em entrevista coletiva, Hugo Chávez tentou acalmar aqueles que ainda não conseguiram votar. "Peço que ninguém se desespere. Vamos fazer com que nada acabe manchando esse processo eleitoral", disse o atual presidente.

O general Wilmer Barrientos, chefe operacional do governo para garantir a segurança das eleições, registrou três assassinatos no país, mas classificou as ocorrências como "casos isolados" e que "não têm nada a ver com o processo eleitoral". Propagandas ilegais e panfletagem também foram registradas na capital Caracas.

Observadores

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O ator americano Danny Glover (dir.) participou das eleições na Venezuela como observador internacional

Entre os observadores internacionais que participaram das eleições na Venezuela estavam o ator americano Danny Glover; a guatemalteca Rigoberta Menchú, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 1992; além da ex-senadora colombiana Piedad Córdoba - todos são simpatizantes do atual presidente Hugo Chávez.

Chávez x Capriles

Hugo Chávez, 58 anos, enfrentou o retorno de um câncer este ano e luta por um novo mandato de seis anos para consolidar sua autodenominada revolução socialista na nação integrante da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Se concretizada a reeleição, poderá completar 20 anos no poder. 

Representando o fim de um ciclo criticado por muitos e amado por outros, Henrique Capriles, um jovem governador de 40 anos, correu uma maratona de oito meses de campanha com visitas casa a casa que mobilizou a oposição historicamente fraturada e estabeleceu sua melhor chance de conquistar a presidência desde a eleição de Chávez em 1998.

Uma possível derrota de Chávez retiraria do poder o grande líder do sentimento anti-americano na América Latina, enquanto potencialmente aumentaria o acesso das empresas petrolíferas às maiores reservas mundiais de petróleo. Já uma vitória permitiria a Chávez continuar a onda de nacionalizações e consolidar o controle sobre a economia.

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