Pacto será assinado em Manila e estabelece a criação de uma nova região autônoma nas áreas do sul do país

O governo das Filipinas e a Frente Moro de Libertação Islâmica (FMLI), maior grupo rebelde muçulmano do país, anunciaram neste domingo que fecharam um acordo prévio de paz que pode acabar com décadas de luta armada.

O presidente das Filipinas, Benigno Aquino 3º, anuncia acordo em pronunciamento na TV
AP
O presidente das Filipinas, Benigno Aquino 3º, anuncia acordo em pronunciamento na TV

O presidente filipino, Benigno Aquino, disse que, embora ainda existam detalhes a serem definidos, "este acordo abre a via para alcançar uma paz definitiva e duradoura em Mindanao". O pacto, que ambas as partes assinarão nos próximos dias em Manila, estabelece a criação de uma nova região autônoma nas áreas do sul das Filipinas onde a comunidade muçulmana é maioria.

O acordo era negociado em Kuala Lumpur desde terça-feira passada por Marvic Leonen, por parte do Executivo filipino, e Mohagher Iqbal, chefe da equipe negociadora do FMLI. A Malásia começou a mediar estas negociações em 2000 e o processo se dividiu em três blocos: segurança (concluído), reabilitação (concluído) e terras ancestrais (em discussão).

Este último bloco, o da terras ancestrais, trata do território que a princípio o FMLI governará, seus limites, o sistema de governo e a divisão da exploração dos recursos naturais. Ambas as partes estabeleceram um cessar-fogo em agosto de 2001 e dois anos depois assinaram o Acordo Geral de Cessação de Hostilidades, embora os confrontos nunca tenham cessado de todo.

O FMLI nasceu de uma cisão do histórico Frente Moro de Libertação Nacional, quando este aceitou negociar uma solução que não fosse a independência, e foi constituído formalmente em 1984.

A organização conta com cerca de 12 mil militantes na atualidade. Quase quatro décadas de conflito étnico, religioso e tribal causaram milhares de mortos e cerca de dois milhões de refugiados em uma das áreas mais pobres das Filipinas.

Com EFE

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