Ex-mordomo do papa é condenado à prisão por roubo de documentos oficiais

Julgado por escândalo conhecido como Vatileaks, Paolo Gabriele recebe sentença de um ano e meio de prisão

iG São Paulo |

O Tribunal do Estado do Vaticano condenou à prisão neste sábado Paolo Gabriele, ex-mordomo do papa Bento 16, por roubar documentos oficiais no escândalo conhecido como Vatileaks. Gabriele, 46 anos, recebeu pena de um ano e seis meses de prisão.

A sentença será cumprida em prisão domiciliar. Mas o porta-voz do Vaticano disse ser "provável" que o papa perdoe Gabriele.

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AP
Paolo Gabriele (direita) participa de audiência em tribunal no Vaticano (29/09)

A sentença foi lida pelo presidente do tribunal, Giuseppe della Torre, após duas horas de deliberações. A sentença dada pelo juiz foi de três anos de prisão, depois reduzida pelo fato de Gabriele não ter histórico criminal, ter pedido perdão ao papa e por sua dedicação à Igreja.

O veredicto encerra o julgamento de uma semana que representou um constrangimento para a Igreja. A série de documentos roubados, que depois foram vazados para a imprensa, inclui cartas pessoais entre cardeais, o papa e políticos sobre uma variedade de assuntos.

De acordo com a polícia o ex-mordomo tinha milhares de documentos oficiais do Vaticano em sua casa, incluindo alguns que o pontifíce queria destruir . "Eles (os documentos) não estavam todos em um só lugar. Estavam escondidos entre milhares de páginas", disse o policial Stefano De Santis, um dos agentes que revistaram a casa de Gabriele, ao tribunal. Alguns papéis, afirmou, tinham a caligrafia do papa, que havia escrito "para serem destruídos".

Gabriele alegou inocência quanto às acusações de roubo com agravante, mas disse que abusou da confiança do papa.  Durante a audiência, Gabriele afirmou amar Bento 16 como um pai e disse que acreditava que o papa estava sendo 'manipulado', sem dar detalhes. Por isso decidiu fazer cópias de documentos importantes - algo que, para ele, não é um crime. 

Na sexta-feira, ele fez um apelo final ao tribunal. "Minha principal convicção é a de que agi movido por um amor visceral pela Igreja e por seu líder na Terra", afirmou. "Não me considero um ladrão".

Com EFE

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