Marinha do Marrocos proíbe aproximação de 'barco para abortos' da Holanda

Embarcação da entidade Women on Waves levaria métodos contraceptivos seguros pela primeira vez a um país muçulmano

iG São Paulo |

A entidade Women on Waves revelou, nesta quinta-feira, que um barco com uma missão holandesa destinada a prestar auxílio e informações sobre aborto e métodos contraceptivos foi proibido de atracar em um porto no Marrocos. O país seria a primeira nação muçulmana a receber a visita do grupo, que atua há 11 anos na área.

BBC
Entidade disse que missão ao Marrocos será apenas para promover ideia de abortos seguros

A líder da ONG, Rebecca Gomperts, afirmou que as autoridades marroquinas não deixaram o barco Langenort se aproximar do porto de Smir. Para ela, a reação do governo africano foi "uma surpresa" e que toda a área estava bloqueada. A embarcação partiu da Holanda na segunda-feira.

Segundo a agência de notícias AFP, o ministro da Saúde do Marrocos havia afirmado na quarta-feira que o barco do grupo Women on Waves (Mulheres sobre as ondas, em tradução livre) não teria permissão para operar no país e que as autoridades locais tomariam as providênciais necessárias contra o grupo, mas não especificou exatamente o que isso implicaria.

Em seus 11 anos de atividades, o barco da WoW já visitou países de maioria católica, como Irlanda, Polônia, Portugal e Espanha, onde enfrentou fortes protestos de grupos antiaborto.

Leia também: 'Barco para abortos' holandês fará primeira visita a país muçulmano

Os serviços são prestados em águas internacionais, por isso não estão sujeitos às restrições legais dos países visitados pela embarcação. Quando em águas internacionais, o barco obedece às leis holandesas, que permitem o aborto em gravidez de até seis semanas e meia.

O aborto é ilegal no Marrocos, a não ser em casos de risco de vida para a mãe. A entidade disse que durante a passagem pelo Marrocos não pretende realizar abortos, e está apenas em missão de "promover a ideia de abortos com medicação segura".

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