Mordomo roubou documentos que papa queria destruir, diz polícia

Durante julgamento do 'Vatileaks', policiais dizem que milhares de papéis do Vaticano foram encontrados na casa de Paolo Gabriele

iG São Paulo |

O ex-mordomo do papa Bento 16, Paolo Gabriele, tinha milhares de documentos oficiais do Vaticano, incluindo alguns que o pontifíce queria destruir, informou a polícia nesta quarta-feira, em depoimento durante o julgamento do escândalo conhecido como Vatileaks.

"Eles (os documentos) não estavam todos em um só lugar. Estavam escondidos entre milhares de páginas", disse o policial Stefano De Santis, um dos agentes que revistaram a casa de Gabriele, ao tribunal. Alguns papéis, disse De Santis, tinham a caligrafia do papa, que havia escrito "para serem destruídos".

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AP
Paolo Gabriele (direita) participa de audiência em tribunal no Vaticano (29/09)

No terceiro dia do processo, realizado com base no Código Penal italiano do século 19, membros da pequena força policial da Santa Sé disseram que o roubo de documentos criptografados havia comprometido algumas operações do Vaticano.

Eles também disseram ter encontrado instruções que Gabriele tinha impresso sobre como ocultar arquivos em computadores e como usar celulares de forma secreta.

Membros do Corpo de Gendarmerie afirmaram que muitos recortes de jornais, livros e muitos outros materiais apreendidos na busca no apartamento de Gabriele mostraram que ele era fascinado por ocultismo, lojas maçônicas, serviços secretos e os recentes escândalos do Vaticano e da Itália.

A série de documentos incriminatórios inclui cartas pessoais entre cardeais, o papa e políticos sobre uma variedade de assuntos. De Santis disse que a busca trouxe à luz "muitos outros" papéis dos que apareceram em um livro escrito por um jornalista italiano que denunciou a suposta corrupção no Vaticano.

"Você pode entender o nosso desconforto quando vimos esses documentos. Esta foi uma total violação da privacidade da família papal", disse, usando um termo do Vaticano para os assessores mais próximos do papa, que o servem em seus aposentos privados.

Policiais que depuseram na audiência de quarta-feira, também refutaram as acusações de Gabriele, feitas na terça-feira, de que foi maltratado por várias semanas depois de sua prisão. O julgamento foi adiado até sábado, quando a acusação e a defesa irão finalizar e os três juízes deverão chegar a seu veredicto.

Gabriele, que diz ter copiado os documentos porque o papa estava sendo "manipulado" , corre o risco de pegar até 4 anos de prisão, se for condenado. Mas é amplamente esperado que o papa o perdoe.

Com Reuters

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