Números revelados em consultas de boca-de-urna indicam vitória do grupo Sonho Georgiano

O bloco formado por partidos da oposição da Geórgia ganhou as eleições parlamentares realizadas nesta segunda-feira no país, segundo as primeiras pesquisas de boca-de-urna divulgadas pela imprensa local. O grupo Sonho Georgiano teria obtido 70% dos votos, de acordo com uma enquete realizada pela ONG Liga de Eleitores. Esse é o primeiro pleito que marcará a transição do regime presidencial para o parlamentar, no qual o primeiro-ministro estará à frente do governo em 2014.

Enquanto isso, o partido governista Movimento Nacional Unido, do presidente Mikhail Saakashvili, alcançaria apenas 24% dos votos. Segundo outra pesquisa realizada pelo canal de televisão "Maestro", próximo à oposição, a Sonho Georgiano somaria 63% das cédulas, em contraste com os 27% do partido de situação. A Televisão Pública Rustavi-2 também dá vitória à coalizão liderada pelo multimilionário Bidzin Ivanishvili, embora por uma diferença menor: 51% para a oposição frente aos 41% para o governo.

Simpatizantes do bloco da oposição comemoram os resultados parciais das eleições parlamentares na Geórgia
AP
Simpatizantes do bloco da oposição comemoram os resultados parciais das eleições parlamentares na Geórgia

Se os resultados forem confirmados, a oposição contaria com a maioria de 150 cadeiras no Parlamento, e teria a última palavra na hora de nomear o primeiro-ministro e seu governo.

Para analistas, o partido do poder teria pagado muito caro pelo escândalo internacional da divulgação de um vídeo com imagens de torturas a detidos em várias prisões de Tbilisi. Ivanishvili afirmou que, em caso de vitória, manteria o mesmo rumo de integração na Otan, embora também tentaria melhorar as relações com a Rússia, com a qual Tbilisi rompeu em 2008, quando Moscou reconheceu a independência das regiões georgianas separatistas da Abkházia e Ossétia do Sul.

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Por sua vez, Saakashvili, o principal aliado dos Estados Unidos na região, mas que a Constituição impede de concorrer no próximo ano à reeleição, acusa o líder opositor de defender os interesses da Rússia.

Mudanças

As legislativas são cruciais para o futuro do país, que se tornará em 2014 uma república parlamentar onde o chefe de governo não será mais o presidente, mas o primeiro-ministro, eleito pela maioria parlamentar, e marcará os desígnios da política interna e externa. Nas eleições, para as quais foram convocados mais de 3,6 milhões de pessoas, participaram dois blocos e 14 partidos, que deverão superar a barreira dos 5% de votos para chegar ao Parlamento.

Com EFE

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