Chávez revela apoio a Obama e diz: 'se ele fosse de Caracas, votaria em Chávez'

Líder venezuelano que busca a reeleição afirmou que Obama 'é um bom sujeito''. "Eu acho que, se Obama fosse de Barlovento ou algum bairro de Caracas, ele votaria em Chávez"

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Com os dois presidentes enfrentando apertadas disputas de reeleições, o venezuelano Hugo Chávez mostrou um surpreendente endosso a Barack Obama, neste domingo, e afirmou que o líder dos EUA, sem dúvida, sentia o mesmo.

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EFE
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, participa de ato de campanha, neste sábado, em Guarenas, estado de Miranda

"Eu espero que isso não o prejudique, mas se eu fosse dos Estados Unidos, eu votaria em Obama", disse o socialista Chávez sobre um homem a quem inicialmente pediu ajuda em 2009 mas que, desde então, geralmente insulta.

Chávez é candidato a um novo mandato de seis anos contra o desafiante Henrique Capriles, enquanto Obama busca a reeleição em novembro contra o candidato republicano Mitt Romney. As eleições venezuelanas acontecerão no próximo fim de semana.

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"Obama é um bom sujeito ... Eu acho que, se Obama fosse de Barlovento ou algum bairro de Caracas, ele votaria em Chávez", o presidente disse à TV estatal, referindo-se a uma pobre cidade costeira conhecida pelas raízes africanas da sua população.

Chávez é um dos mais fortes críticos a Washington, e seus 14 anos de mandato foram caracterizados por brigas diplomáticos e insultos à Casa Branca.

Campanha neste domingo

Uma semana antes das eleições, Chávez negou que o socialismo do século 21 que lidera esteja esgotado e viu como "impossível" uma vitória da burguesia, enquanto Henrique Capriles abarrotou as ruas de Caracas e criticou o governo por ser "escuridão para a casa".

Faltando sete dias para as eleições que definirão o presidente para os próximos seis anos, Capriles exibiu o poder da oposição ao liderar uma concentração na capital venezuelana ao mesmo tempo em que Chávez viajou ao estado de Zulia (noroeste) para presidir um ato na cidade de Cabimas.

"Dentro de uma semana estaremos em plena batalha nas urnas", previu Chávez em sua chegada a Cabimas. Para o presidente, candidato a uma terceira reeleição consecutiva, "é impossível que a burguesia" vença no dia 7 de outubro. Chávez disse que nesse dia "o povo voltará a ganhar", pois "sabe como foi beneficiado" com a revolução bolivariana que ele iniciou em 1999, e a qual considera "necessário" consolidar.

O presidente venezuelano advertiu, no entanto, que no próximo domingo a oposição talvez tente executar ações violentas, "planos desesperados da extrema direita", mas disse que seu governo os derrotará "e não apenas nas urnas". "Estamos prontos para enfrentá-los, neutralizá-los e garantir que se respeite a decisão do povo no domingo 7", ressaltou.

Chávez também qualificou como "muito lamentável" a morte em sua cidade natal de Barinas de três seguidores de Capriles em um fato ocorrido no sábado com um grupo aparentemente governista, três de cujos integrantes foram detidos, entre eles o autor dos disparos. "Não é com violência que vamos nos enfrentar; é voto a voto", disse a seus seguidores em Zulia, lhes advertindo que na oposição alguns "andam acariciando a ideia de desconhecer e cantar fraude" no domingo, e que perante isso "a melhor vacina é a votação em massa".

Em entrevista na televisão previamente gravada e divulgada neste domingo, Chávez insistiu que "ninguém em seu bom juízo pode dizer" que seu modelo de socialismo do século 21 esteja esgotado. "Tanto não está esgotado que a direita teve que se disfarçar de esquerda e Capriles procura captar votos enganando o povo, escondendo o pacotaço neoliberal que implantará", disse Chávez.

"No período 2013-2019 serão consolidadas as mudanças que o socialismo do século XXI transformou a Venezuela no país menos desigual do continente", insistiu Chávez, incluindo Capriles no que denominou "direita radical e enlouquecida". "Eu estendo a mão à nova direita" que, vaticinou, surgirá após as eleições.

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O candidato Henrique Capriles em comício em Caracas, neste domingo

Capriles, por sua vez, foi à capital venezuelana como parte do percurso que empreendeu esta última semana para finalizar as visitas "povo a povo" que caracterizaram sua campanha e que, segundo ele, o levaram a "mais de 300 cidades".

O líder opositor liderou uma grande concentração no centro de Caracas, reduto do chavismo e até onde chegaram diversas caravanas que partiram de diferentes pontos da capital. Em seu discurso, Capriles leu passagens do programa do governo de Chávez e, embora não tenha chegado a zombar dele, alertou que "não tem nada a ver" com a solução dos problemas dos venezuelanos.

"Convido a quem ler ponto por ponto o programa governista e depois que o leia completinho diga se aqui está contemplada alguma solução para os problemas dos venezuelanos", desafiou. "O modelo do socialismo do século 21 já se esgotou porque se comprometeu, por exemplo, em acabar com a violência, mas nestes 14 anos a multiplicou por cinco", insistiu Capriles.

Ele acrescentou que após percorrer o país pôde confirmar que tem as "estradas destruídas", que as pontes "estão caindo" e são registradas explosões na indústria petrolífera. Chávez quer seis anos mais no poder para ver "se agora sim" pode resolver os problemas nacionais, quando em 14 anos não o fez e privilegiou "os presentes" ao exterior que somam mais de US$ 60 bilhões, especificou Capriles.

"O governo de Chávez significou luz para fora e escuridão para a casa", acrescentou Capriles, ao advertir que "os presentes" incluem recursos para sanear um rio de Nova York. Neste domingo venceu o prazo para se apresentar pesquisas eleitorais sem que elas mostrem uma tendência única, embora o panorama esteja dominado por estudos que dão uma vitória a Chávez sobre Capriles.

Por sua vez, a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, defendeu que o sistema de votação do país "está blindado" e previu que no dia 7 de outubro os venezuelanos terão um "processo eleitoral formoso e perfeito. 

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