A uma semana da eleição, ativistas da oposição são mortos a tiros na Venezuela

Dois líderes locais de partidos que apoiam o candidato Henrique Capriles, adversário do presidente Hugo Chávez, foram assassinados; governo confirma mortes e promete investigar

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Homens armados mataram a tiros no último sábado (29) dois líderes locais de partidos que apoiam o candidato presidencial da oposição venezuelana, Henrique Capriles, no mais grave ato de violência do período pré-eleitoral no país. A eleição presidencial ocorrerá no próximo fim de semana.

O partido de Capriles, Primero Justicia, afirmou que os homens armados atiraram de uma van que, segundo testemunhas, era da companhia estatal do petróleo, a PDVSA, ou do gabinete do prefeito. Os assassinatos ocorreram durante um comício na região rural de Barinas.

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O governo do presidente Hugo Chávez, que tenta a reeleição, confirmou as mortes e prometeu levar os autores dos homicídios à Justiça. O ministro do Interior, Tareck El Aissami, afirmou que as circunstâncias do ataque ainda estão sendo investigadas.

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"Estou muito triste com essas más notícias", afirmou Capriles pelo Twitter. A coalizão de oposição Unidade Democrática, que uniu os partidos de oposição do país, exigiu uma rápida investigação.

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Partidária do presidente Hugo Chávez, durante comício: eleição entra na reta final em meio ao clima tenso por conta das mortes

Fim de campanha

Durante a campanha, Chávez mostrou novos projetos de infraestrutura em Caracas, enquanto Capriles o acusou de gastar o dinheiro do país com aliados estrangeiros.

Com as pesquisas inconclusivas, ambos estão tentando angariar os votos dos indecisos no que aparenta ser a eleição mais apertada do carismático líder socialista em seus 14 anos à frente da nação.

Apesar das duas batalhas contra o câncer desde meados de 2011, Chávez, de 58 anos, disse que está completamente curado e tentando recapturar sua antiga energia para ganhar mais seis anos no poder.

No sábado, ele inaugurou um monotrilho, depois inspecionou extensões do sistema de metrô e um bondinho nas regiões pobres de Caracas.

"Não estamos pensando em fazer dinheiro. Essa é a diferença com o capitalismo", afirmou Chávez em Petare, uma das maiores favelas da América Latina.

"O perdedor terá que ir até a lua e ver se consegue governar uma rocha lá, porque aqui a burguesia nunca voltará", afirmou Chávez sobre Capriles, que, segundo o presidente, representa a elite. 

Capriles, um governador de 40 anos que tem uma visão política centrista e vê o Brasil como modelo a ser seguido pela mistura de livre mercado e políticas sociais ousadas, está cruzando a Venezuela o ano todo em uma extenuante campanha.

No estado de Falcón, Capriles acusou Chávez de fazer falsas promessas ao povo. "O governo prefere construir uma refinaria na Nicarágua, ou mandar petróleo e se preocupar com os cortes de energia em Cuba, mas não se importa com os blecautes aqui em Falcón", disse.

Dos seis mais conhecidos institutos de pesquisas da Venezuela, a maioria coloca Chávez à frente, mas também mostra Capriles crescendo nas últimas semanas. Dois deles o colocam na ponta.

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