Reformas pró-democracia são 'irreversíveis', diz presidente de Mianmar

Em discurso histórico na Assembleia Geral da ONU, Thein Sein elogia opositora Suu Kyi

iG São Paulo |

O presidente de Mianmar, Thein Sein, declarou nesta quinta-feira que o seu país tem tomado medidas "irreversíveis" em direção à plena democracia e que em breve deixará para trás 50 anos de regime autoritário. Em discurso realizado na Assembleia Geral da ONU, o general também elogiou a atuação de Aung Suu Kyi como principal líder do partido da oposição ao seu governo .

AP
Presidente de Mianmar, Thein Sein, em discurso histórico na Assembleia Geral da ONU

A fala de Thein Sein, transmitida pela primeira vez ao país, reflete o momento de abertura pela qual passa o governo birmanês. Nos últimos meses, centenas de presos políticos foram libertados e censuras aos jornais e redes de televisão independentes foram deixadas de lado. Nessa toada, Suu Kyi saiu da prisão domiciliar em que estava havia 15 anos e pôde assumir uma cadeira no parlamento de Mianmar.

Pela primeira vez na história, o general elogiou a atuação de Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2012. "Como cidadão birmanês, gostaria de parabenizar Aung Suu Kyi pelas honras que ela recebeu aqui nos Estados Unidos em reconhecimento ao seu esforço para levar a democracia ao meu país", disse.

Leia também: Suu Kyi diz que Nobel tirou Mianmar do esquecimento

"O povo de Mianmar já viu muitas mudanças e elas vão continuar", completou Thein Sein, que enfrenta uma forte pressão por parte do exército birmanês, contrário às reformas democráticas. Ele ainda afirmou que o seu governo chegou a um acordo de cessar-fogo com dez grupos étnicos diferentes, que lutavam por reconhecimento.

Segundo analistas internacionais, porém, as reformas em Mianmar ainda são pequenas, uma vez que a constituição local dá amplos poderes à junta militar que governo o país há 50 anos.

Sanções

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, confirmou que seu governo irá derrubar outra parte das sanções econômicas impostas a Myanmar, na mais recente atitude de aproximação entre os dois países. O anúncio desta quarta-feira foi feito em uma reunião com o presidente birmanês, Thein Sein, em paralelo à Assembleia Geral da ONU.

Leia mais: Hillary Clinton derruba mais sanções econômicas contra Myanmar

"Em reconhecimento ao contínuo avanço em direção a reformas democráticas e em resposta aos pedidos efetuados pelo governo de Myanmar e pela oposição, os Estados Unidos tomará as medidas para normalizar o comércio entre as duas nações", declarou Hillary Clinton. Na semana passada,Barack Obama também havia anunciado o fim de alguns embargos contra o país asiático.


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