Periódico Al-Watan lançou uma campanha chamada "combata charges com mais charges", em que critica a revista francesa Charlie Hebdo por desenhos ofensivos

BBC

O jornal egípcio Al-Watan lançou uma campanha chamada "combata charges com mais charges", em que critica os cartuns de Maomé impressos pelo periódico francês Charlie Hebdo e publica desenhos irônicos sobre as relações entre o Ocidente e o mundo muçulmano.

O Al-Watan, um jornal secular, publicou nesta semana 13 charges. Uma delas mostra um par de óculos pelo qual se vê as torres do World Trade Center sendo atingidas por aviões. A legenda: "óculos ocidentais para o mundo muçulmano".

Chargista trabalha em desenho publicado pelo jornal egípcio Al Watan
AP
Chargista trabalha em desenho publicado pelo jornal egípcio Al Watan

Uma segunda charge mostra dois homens árabes lado a lado. Um usa um turbante, barbas desgrenhadas, tem uma cara de raiva e carrega uma faca ensanguentada, dando a entender que se trata de um terrorista. Ele está ao lado de outro árabe, sorridente. Abaixo dos dois, uma lanterna com a bandeira dos EUA joga luz apenas no homem que parece ser um terrorista.

Há também um cartum em que um homem branco acusa um homem barbudo e raivoso de ser um terrorista; o homem branco então percebe que o barbudo é um israelense e oferece a ele uma flor.

'Pensamento com pensamento'

As charges foram parte de uma seção inteira do jornal dedicada a criticar a Charlie Hebdo, a qual publicou charges ironizando Maomé após a onda de violência no mundo muçulmano contra o filme anti-islâmico "Innocence of Muslims" (Inocência de Muçulmanos, em tradução livre).

Os protestos contra o filme e contra a Charlie Hebdo resultaram em dezenas de mortes em países muçulmanos e em ações contra embaixadas ocidentais nesses países - num dos episódios mais graves, em 11 de setembro, a representação diplomática americana em Benghazi, na Líbia, foi atacada, levando à morte do embaixador Christopher Stevens e de outras três pessoas.

A seção do Al-Watan incluiu artigos de conhecidos escritores seculares egípcios, como o ex-diretor de pesquisas do Carnegie Middle East Centre, Amr Hamzawi, e acadêmicos e religiosos do país, como o mufti (intérprete qualificado do Corão) Ali Gomaa.

Leitores do Al-Watan - jornal crítico ao presidente islâmico recém-eleito no Egito, Mohammed Mursi - reagiram positivamente ao caderno especial. Alguns elogiaram a ideia de "confrontar pensamento com pensamento" na crítica ao Charlie Hebdo e de dar uma "resposta civilizada" ao semanário francês.

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