Ahmadinejad critica 'ameaças' de nações nucleares e prega a 'paz mundial'

Em tom mais moderado, presidente do Irã afirma que seu país é alvo de intimidações

iG São Paulo | - Atualizada às

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, discursou nesta quarta-feira durante o segundo dia da Assembleia Geral da ONU e provocou os líderes mundiais com suas famosas indiretas. Ele afirmou que sua nação está comprometida com a paz global e culpou outras potências, como Estados Unidos e Israel, de participarem de uma corrida armamentista e de provocarem o povo iraniano com bravatas. As delegações dos Estados Unidos e de Israel se retiraram antes do início da cerimônia.

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O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, se despede após discursar no segundo dia da Assembleia Geral da ONU

Com tom menos desafiador do que em outras ocasiões, Ahmadinejad subiu ao púlpito da sede das Nações Unidas pela oitava e última vez - ele deixa a presidência do Irã em junho de 2013.

"O Irã tem uma visão global e apoia qualquer esforço para promover a paz e a tranquilidade no mundo", afirmou o presidente iraniano. Mas, logo em seguida, mandou um recado para os Estados Unidos, alertando para uma "corrida armamentista e intimidação nuclear realizada pelas potências hegemônicas estão prevalecendo" no cenário atual. "Sentimos que o Irã está sob ameaça constante", disse.

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Em uma referência clara ao Estado de Israel, apesar de não citá-lo nominalmente, Ahmadinejad criticou as ameaças feitas pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. "Contínuas afrontas por parte de sionistas não civilizados que querem agir militarmente contra nossa grande nação é exemplo dessa realidade", declarou.

Israel

Irritado com o discurso promovido por Mahmoud Ahmadinejad, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, prometeu uma resposta dura na Assembleia Geral da ONU e reiterou que fará tudo para impedir que o Irã obtenha armas nucleares. Seu pronunciamento está previsto para esta quinta-feira.

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Imagem mostra os assentos vagos da delegação de Israel durante o discurso de Ahmadinejad

O premiê israelense aproveitou um comunicado por ocasião do Yom Kippur, principal feriado do calendário judaico, para enviar uma mensagem clara a Ahmadinejad. "A respeito do Irã, estamos todos unidos na meta de impedir que o país obtenha armamentos nucleares. No dia em que rezamos, um palanque foi dado ao regime tirânico do Irã, que busca oportunidades para nos sentenciar à morte", afirmou Netanyahu.

"A história prova que aqueles que quiseram nos apagar do mapa fracassaram. Nas declarações que farei diante dos  representantes das nações na Assembleia Geral, eles vão escutar a nossa resposta", ameaçou o primeiro-ministro de Israel.

Obama

Durante o primeiro dia de reuniões na Assembleia Geral, Ahmadinejad foi alvo de várias críticas realizadas por Barack Obama. O presidente americano afirmou que o governo iraniano é responsável por aumentar a tensão na região do Oriente Médio e providenciar apoio para o presidente da Síria, Bashar Al-Assad.

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Embora tenha reforçado a preferência americana por uma solução diplomática para o impasse, Obama deixou claro que uma opção militar não está descartada.

“Os EUA querem resolver isso com diplomacia – e ainda há tempo e espaço para isso. Mas esse tempo não é ilimitado”, afirmou. “Os EUA farão tudo o que for necessário para impedir o Irã de obter uma arma nuclear.”

O presidente americano também condenou a violência na Síria e defendeu a solução de dois Estados para o conflito israelo-palestino, dizendo que os EUA estão preparados a trabalhar com todos dispostos a “seguir nessa jornada” em direção à paz.

Com BBC e AP

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