Dilma quer pacto global de saída da crise

Em entrevista, a presidenta pediu mais união para que países importantes voltem a crescer

Carolina Cimenti - Nova York |

A presidenta Dilma Rousseff afirmou que é preciso vontade política de todos para acabar com a crise econômica mundial. "A gente tem que buscar um pacto de saída da crise e não apontar os dedos uns para os outros", disse ela em uma entrevista coletiva em Nova York, no mesmo dia em que abriu os debates da Assembleia Geral das Nações Unidas com um discurso bastante crítico aos países que exercitam protecionismo e que não respeitam os decisões do Conselho de Segurança da ONU.

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Presidenta Dilma Rousseff durante discurso na Assembleia Geral da ONU

Dilma lembrou que a política de desvalorização monetária (do Dólar contra o Real, por exemplo) "é um dos mais conhecidos mecanismos de competição internacional - e apesar de não ser considerado como elemento artificial de concorrência, é um elemento artificial de concorrência", frisou. A presidenta disse ainda que, para que o mundo saia da crise, é fundamental que o Brasil volte a crescer entre 4% e 5%, e a China também.

"É urgente a construção de um amplo pacto pela retomada coordenada do crescimento econômico global, impedindo a desesperança provocada pelo desemprego e pela falta de oportunidades"

Obama

A presidenta contou aos jornalistas que, antes de entrar para realizar o seu discurso esta manhã na ONU, dividiu a ante-sala com o presidente americano Barack Obama, como sempre ocorre, pois o discurso dele sempre ocorre após o de Dilma. "Eu tenho imensa simpatia pelo presidente Barack Obama", disse a presidenta.

Leia mais: Na ONU, Obama prega tolerância e avisa que tempo do Irã 'não é ilimitado'

Dilma disse que eles sempre perguntam respeitosamente sobre suas famílias, pois Obama esteve no Brasil acompanhado de sua mulher, Michelle Obama, e suas duas filhas, e conheceram a filha da presidenta e seu genro. "Meu neto ele não conheceu porque ele estava dormindo", disse Dilma sorrindo.

Ao final da breve conversa, que foi dominada por temas eleitorais, "afinal eles está em plena campanha", disse a presidenta, eles se desejaram boa sorte mutuamente e foram proferir seus discursos. "Se criou um relacionamento muito simpático", disse a presidenta.

Indonésia e Egito

Logo depois do seu discurso na ONU, Dilma teve duas reuniões bilaterais, uma com o novo presidente do Egito, Mohamed Morsi, e outra com o presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono.

Segundo Dilma, o líder egípcio se mostrou muito interessado em programas sociais brasileiros, como o Bolsa Família, porque o Egito encara desafios econômicos e sociais parecidos com os que o Brasil.

Na reunião com o líder indonésio, Dilma tratou de uma tema mais delicado, o futuro de dois brasileiros condenados à pena de morte por fuzilamento por causa de tráfico de drogas no país. O surfista Rodrigo Gularte, de 39 anos, e Marco Archer Cardoso Moreira, de 50 anos, foram presos em 2004 e 2003 respectivamente, tentando entrar no país carregando quilos de cocaína. Ambos foram julgados e condenados em 2004.

Veja também: Em reunião, líder indonésio promete tentar evitar morte de brasileiro

A presidenta entregou a Yudhoyono duas cartas de apelo para tentar poupar a vida dois dois cidadãos brasileiros. O presidente indonésio disse que a Dilma que entendia as diferenças culturais e de hábitos, e o fato do Brasil não ter pena de morte. "Ele me prometeu fazer os seus melhores esforços", disse a presidenta.

O problema do Mercosul

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Presidenta Dilma Rousseff e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon

Quando Dilma encontrou o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, na tarde de segunda-feira, eles conversaram sobre uma retomada das negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Ao conversar com os jornalistas sobre o encontro, porém, a presidenta disse que não houve conversas sobre acordo de livre comércio.

"Eu tenho um problema, sou parte integrante do Mercosul", disse Dilma. "Não tenho nenhum poder de discutir acordos de livre comércio sem que seja dentro dos princípios da região", explicou a presidenta.

Bill Clinton

Dilma queria partir de volta a Brasília ainda nesta terça-feira, mas o ex-presidente americano Bill Clinton solicitou uma reunião, e a presidenta deverá encontrá-lo na noite desta terça-feira no hotel onde está hospedada em Nova York, o St. Regis. Por causa disso, Dilma deverá voltar ao Brasil somente na manhã de quarta-feira.

Ao se despedir dos jornalistas, Dilma foi questionada se subirá em algum palanque durante as eleições para prefeituras em todo o país, e ela respondeu: "não conto", deixando no ar se participará ou não de algum comício nas próximas semanas.

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