Assembleia Geral da ONU começa com discursos de Dilma e Obama

Líderes de Brasil e Estados Unidos fazem principais pronunciamentos desta terça-feira durante o evento; ambos devem falar sobre o Oriente Médio

Carolina Cimenti - Nova York | - Atualizada às

A presidenta Dilma Rousseff faz nesta terça-feira o discurso de abertura da 67ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, no qual deve abordar o conflito no Oriente Médio e a situação da economia global. Outro discurso muito aguardado, que ocorre logo depois do de Dilma, é o do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Segundo assessores, Dilma falará sobre uma nova teoria, a da "legítima defesa comercial", para defender as recentes ações do governo que aumentaram as tarifas de cem produtos de importação de 12% para 25%, uma medida que está sendo muito criticada pelos parceiros comerciais do Brasil, principalmente os Estados Unidos.

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Roberto Stuckert Filho/PR
Antes do discurso, a presidenta Dilma Rousseff teve um encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon

Outra medida que pode ser defendida pela nova teoria de Dilma é o IOF, que também poderá aumentar novamente no futuro próximo para lutar contra o chamado tsunami cambial, ou a

Dilma realizará o seu discurso logo depois que o secretário geral da ONU, Ban Ki Moon, e o presidente da Assembléia Geral, Vuk Jeremic, abrirem os trabalhos nesta manhã.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse que a presidenta, que passou toda a segunda-feira aprimorando seu discurso em Nova York, está apenas "ultimando um detalhe ou outro" da sua participação. Sem querer adiantar nenhum item da fala, Patriota afirmou que "o Oriente Médio é um problema importante".

Dilma deve defender soluções multilaterais para os conflitos, destacar a necessidade de proteção de civis em casos de intervenções militares e também enfatizar a necessidade de reforma nos órgãos decisórios da ONU – em especial o seu Conselho de Segurança.

Agenda 'em construção'

Pelo terceiro dia consecutivo, a agenda de Dilma em Nova York permanece "em construção". A assessoria da presidenta, que chegou à cidade com uma agenda quase em branco à exceção do discurso na Assembleia Geral da ONU, levantou diversas vezes possibilidades de reuniões bilaterais que acabaram sendo canceladas ou nunca se concretizaram.

A participação da presidente em um evento do Council of Foreign Relations, que reúne intelectuais e especialistas em política internacional e publica a revista Foreign Affairs, foi cancelada. O evento estava marcado para esta terça-feira, e o cancelamento só foi inicialmente conhecido através da assessoria do CFR, em troca de emails com a BBC Brasil.

Após seu discurso, marcado para as 9h de Nova York (10h de Brasília) desta terça-feira, a expectativa é que Dilma assista à intervenção do colega americano, Barack Obama, e se reúna no fim da manhã com o presidente indonésio . A agenda da tarde da terça ainda está à espera de confirmações.

Na segunda-feira, a presidente passou todo o dia reunida com ministros, trabalhando seu discurso. Ela também se reuniu por duas horas com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, no hotel St Regis, onde está hospedada.

Aos jornalistas que passaram o dia improvisados em frente ao hotel da presidente, assessores do Planalto disseram que Dilma não tinha planos de ir ao jantar oferecido por Obama a chefes de Estado que participam da Assembleia Geral da ONU, na noite de segunda-feira. A presidente manteve uma agenda privada.

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No domingo, Dilma incluiu na sua agenda um pouco de descontração, com um rápido passeio e almoço no chamado Upper East Side da cidade. Ela deixou de carro o hotel St Regis e dispensou o motorista pouco depois. Segundo sua assessoria, caminhou por Nova York, foi reconhecida por turistas brasileiros e almoçou fora. A presidente deve voltar a Brasília na 4ª feira.

Discurso de Obama

O Oriente Médio deverá ser questão central no discurso de Obama. Enquanto Dilma deve oferecer uma visão "moderada" para a resolução de conflitos, segundo a tradição diplomática brasileira, espera-se que Obama faça uma declaração expressa de apoio às transições de governo iniciadas com a Primavera Árabe.

Além disso, ele tentará passar uma mensagem de que os EUA estão "mais fortes" no cenário externo hoje que quatro anos atrás – mensagem crucial em ano eleitoral.

Na segunda-feira, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, adiantou outros pontos do discurso do presidente. Segundo ele, Obama condenará o vídeo ofensivo ao profeta Maomé que gerou protestos antiamericanos no mundo islâmico, mas dirá que "os EUA nunca baterão em retirada do mundo".

"Os EUA trarão à Justiça aqueles que causarem dano aos americanos e os EUA permanecerão firmes por nossos valores democráticos no exterior", expressou o porta-voz.

Em relação ao polêmico programa nuclear iraniano, Carney lembrou que os EUA "têm consistentemente levantado o tema em torno do profundo fracasso do Irã em cumprir suas obrigações internacionais em relação ao seu programa nuclear".

Em uma entrevista ao programa 60 Minutes, Obama disse que pretende "desfazer qualquer ruído" em relação ao apoio americano a Israel – o que, segundo o porta-voz da Casa Branca, mostra o comprometimento "claro" do presidente dos EUA com a segurança israelense.

Campanha

Obama está dando prioridade à campanha eleitoral nesta semana e deixou a política externa a cargo de sua secretária de Estado, Hillary Clinton, que na segunda-feira se reuniu com os líderes do Paquistão, Afeganistão e Líbia.

Logo após chegar em Nova York, Obama se dirigiu, ao lado de sua esposa, Michelle, aos estúdios do canal ABC para gravar uma entrevista no programa "The View", muito popular entre as mulheres, parcela do eleitorado que em sua maioria apoia o democrata.

Obama ficará em Nova York apenas 24 horas, o suficiente para realizar seu discurso na 67ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira, às 10h10 local (11h10 de Brasília), e depois mais um na fundação Iniciativa Global Clinton.

Com BBC e EFE

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