'Tivemos muita sorte', dizem italianos que sobreviveram à avalanche no Nepal

Alpinistas relatam momentos de tensão após barracas serem atingidas por neve enquanto eles dormiam em uma montanha no Himalaia; oito vítimas foram identificadas

iG São Paulo |

Os alpinistas italianos Christian Gobbi e Silvio Mondinelli afirmaram nesta segunda-feira ter tido sorte por sobreviver a uma avalanche que no domingo deixou ao menos oito mortos em um pico do Himalaia.

Gobbi e Mondinelli estavam dormindo em sua barraca quando ouviram um som estranho seguido de fortes rajadas de vento. Poucos segundos depois, a neve inundou a sua tenda e a fez desmoronar da encosta de uma montanha no Nepal.

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AP
Resgatista conversa com sobrevivente não identificado de avalanche no Nepal (23/09)

Ao saírem da barraca, tudo o que eles podiam ver eram pedaços de tendas e botas largadas, depois que uma parede de neve esmagadora destruiu seu acampamento. Dezenas de alpinistas estavam acampados a 7 mil metros de altura quando uma grande massa de neve e gelo atingiu o local na manhã de domingo, dia em que o grupo subiria até o cume do monte Manaslu, de 8.156 metros.

"Fomos para baixo com a tenda e paramos a cerca de 250 metros abaixo", contou Gobbi, de 42 anos, à Reuters, depois de ser resgatado de helicóptero e levado para a capital do Nepal, Katmandu, nesta segunda-feira. "Tivemos muita sorte porque nada aconteceu com a gente, mas perdemos nossas botas, luvas e faróis. 

"Depois de cerca de uma hora descobrimos que um dos membros da nossa equipe italiana e um guia sherpa muito forte haviam morrido na neve", disse Gobbi, sentado em um sofá em um hotel de Katmandu.

Mondinelli, de 54 anos, célebre por sua rara proeza de escalar todos os 14 picos do mundo acima de 8 mil metros, estava em sua terceira subida do Manaslu, que fica na fronteira do Nepal com o Tibete. "Todos gritamos e procuramos por sobreviventes", disse ele.

Gobbi acrescentou: "Encontramos as botas de alguém, as colocamos e descemos."

Nesta segunda-feira, helicópteros de resgate nepaleses interromperam as buscas por três alpinistas estrangeiros que ainda estavam desaparecidos após a avalanche atingir o acampamento. Acredita-se que dois sejam franceses e um canadense, informou o superintendente-adjunto da polícia, Basanta Bahadur Kunwar.

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Autoridades não definiram se a suspensão é apenas temporária ou permanente, mas disseram que há poucas chances de encontrar sobreviventes

Oito vítimas foram identificadas: o espanhol Marti Gasull, os franceses Fabrice Priex, Catherine Marie Andree Ricard, Ludovic Paul Nicholas Challeat e Philippe Lucien Bos, o alemão Christian Mittermeyer, o italiano Alberto Magliano e o nepalês Dawa Dorji.

O operador de viagens Nima Nuru, que organizou a expedição para os alpinistas franceses e ajudou a levar os corpos de helicóptero de volta para Katmandu, afirmou que tudo estava destruído no local do acampamento. "Não conseguimos enxergar nenhuma barraca ou qualquer pertence dos alpinistas", disse ele à Reuters.

O monte Manaslu, que fica ao lado do monte Annapurna, no noroeste do Nepal, foi escalado por cerca de 300 pessoas desde que foi conquistado pela primeira vez por uma equipe japonesa em 1956. Considerando a avalanche de domingo, mais de 60 mortes foram registradas no local.

A avalanche de domingo foi o acidente mais fatal desse tipo no país em quase duas décadas. Em 1995, pelo menos 42 pessoas morreram em uma forte nevasca e avalanches na região do monte Everest, no último grande desastre do tipo no Nepal.

Com Reuters e AP

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