Ex-chefe de polícia chinês é condenado a 15 anos de prisão por caso Bo Xilai

Wang Lijun foi acusado pelos crimes de deserção, manipulação da lei em seu próprio benefício, abuso de poder e corrupção

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O Tribunal Intermediário de Chengdu condenou nesta segunda-feira (data local) a 15 anos de prisão Wang Lijun, ex-"número dois" do dirigente chinês Bo Xilai, informou a agência oficial Xinhua . Wang foi acusado de quatro crimes: deserção, manipulação da lei em seu próprio benefício, abuso de poder e corrupção.

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Wang Lijun, ex-chefe de polícia de Chongqing, que deu início ao escândalo Bo Xilai (arquivo)

"Recebeu uma condenação conjunta por todos as acusações", especificou a agência. A sentença, considerada leve para suas acusações, foi conhecida uma semana depois do julgamento, que aconteceu em duas partes. Na segunda-feira passada se tinha realizado a portas fechadas para tratar as acusações de deserção e manipulação da lei, os de maior peso, para evitar que fossem divulgados segredos de Estado.

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Um dia depois, na terça-feira, foi julgado por abuso de poder e corrupção em uma audiência pública na mesma corte de Chengdu. O esperado veredicto não surpreende depois que a Promotoria pediu com insistência uma "condenação diminuída" por causa da colaboração que Wang tinha prestado à Justiça. Além disso, o acusado não refutou os crimes durante o julgamento e, segundo a ata judicial publicada depois pela "Xinhua", pediu perdão pelos crimes cometidos, inclusive ao Partido Comunista da China (PCCh).

Wang Lijun foi o estopim do maior escândalo político chinês na última década quando, em fevereiro passado, tentou se refugiar no consulado dos EUA da cidade de Chengdu (próxima a Chongqing). Ali, supostamente, revelou a má prática de seu chefe e vinculou sua esposa, Gu Kailai, com o homicídio do empresário britânico Neil Heywood em novembro do ano passado nessa cidade.

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Segundo a ata judicial, Wang pediu asilo político na delegação americana com o argumento de que estava "sob ameaça por causa de suas investigações em casos criminais". Este documento também assevera que, antes de tentar se refugiar na delegação, Wang disse ao "então chefe do PCCh em Chongqing (Bo Xilai)" que sua esposa era "altamente suspeita" do crime, após o que o ex-líder o recriminou e lhe deu uma bofetada.

A alusão a Bo na ata - pela primeira vez desde que explodiu o caso - abre a possibilidade de que seja acusado por delitos como encobrimento (do crime de sua esposa) e abuso de poder, no entanto ele só é investigado por violar a disciplina do Partido. Bo Xilai foi destituído de seu cargo apenas um mês depois da entrada de Wang Lijun no consulado, enquanto, quase de forma simultânea, Gu Kailai era considerada oficialmente suspeita pelo assassinato de Heywood.

Gu foi processada em agosto passado e condenada a uma pena de morte suspensa, que na prática evita a execução. Já conhecida a sentença de Wang - de menor peso que a de Gu, embora os analistas esperassem uma condenação similar para ele -, apenas resta saber o destino de Bo Xilai. O ex-líder de Chongqing era visto até o escândalo como um dos principais candidatos a entrar no Comitê Permanente - a cúpula do Partido Comunista -, antes de que este seja renovado em seu 18º Congresso. 

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