Em 'Dia de Amor' a Maomé, paquistaneses protestam contra filme anti-Islã

Governo declara feriado para protestos pacíficos contra vídeo americano, mas confrontos violentos são registrados em várias cidades e causam 19 mortes

iG São Paulo | - Atualizada às

A polícia do Paquistão abriu fogo contra manifestantes que incendiaram salas de cinemas de Peshawar nesta sexta-feira, em mais um dia de protestos contra um filme americano anti-Islã. Violentos confrontos foram registrados em várias cidades paquistanesas - onde o governo convocou um feriado chamado de "Dia de Amor" ao profeta Maomé - e em outros países, nos quais bandeiras americanas e fotos do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foram queimadas.

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AP
Manifestantes protestam contra filme americano anti-Islã em frente à Embaixada do Paquistão em Rawalpindi

Uma mensagem de Obama condenando o vídeo, exibida na TV paquistanesa, não foi suficiente para acalmar os ânimos no país. Manifestantes queimaram dois cinemas e a câmera de comérico de Peshawar. Mohammad Amir, motorista de uma rede de TV, morreu quando tiros atingiram o veículo em que ele estava no norte da cidade. 

No total, 19 vítimas foram registradas no Paquistão. Choques também aconteceram em Lahore, Karachi e na capital, Islamabad. De acordo com o governo, que declarou feriado pedindo protestos pacíficos, serviços telefônicos foram bloqueados temporariamente em 15 grandes cidades para impedir que militantes usassem celulares para detonar bombas durabte as manifestações.

As autoridades americanas encontram dificuldade para explicar ao mundo muçulmano que, embora discordem do conteúdo do filme anti-Islã, não podem bloqueá-lo por causa do direito à liberdade de expressão no país.

Numa tentativa de acalmar a população do Paquistão, a Embaixada dos EUA em Islamabad gastou US$ 70 mil para exibir mensagens na TV paquistanesa nas quais Obama e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, condenam o filme.

O primeiro-ministro do Paquistão, Raja Pervaiz Ashraf, fez um apelo para que a comunidade internacional aprove leis que impeçam insultos ao profeta Maomé. "Se negar o Holocausto é crime, então não é justo e legítimo que os muçulmanos exijam que denegrir a imagem da mais sagrada figura do Islã seja considerado nada menos que um crime?", afirmou. Negar o Holocausto é crime na Alemanha, mas não nos Estados Unidos.

Reuters
Muçulmanos queimam foto do presidente dos EUA, Barack Obama, durante protesto contra filme americano anti-Islã em Bangladeshi (21/09)

No Iraque, cerca de 3 mil manifestantes protestaram contra o filme, que ridiculariza Maomé, e contra uma revista francesa que publicou uma charge do profeta. Em Basra, bandeiras americanas e de Israel foram queimadas enquanto muitos gritavam "Morte à América".

Em Colombo, capital do Sri Lanka, cerca de 2 mil muçulmanos queimaram imagens de Obama e bandeiras americanas, exigindo que os EUA vetem o filme. O protesto aconteceu em frente à Embaixada dos EUA, que já estava fechada.

Em Bangladesh, mais de 2 mil manifestantes marcharam pelas ruas da capital, Dhaka, queimando um caixão enrolado com a bandeira dos EUA e também uma imagem de Obama. Uma bandeira da França também foi queimada, por causa das charges.

Com AP

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