Palestinos vão buscar reconhecimento como Estado observador na ONU

Mudança para status similar ao do Vaticano permitiria confrontar Israel nos tribunais internacionais

iG São Paulo |

AFP
Mahmud Abbas mostra cópia da carta do pedido de adesão formal do Estado palestino na ONU (2011)

Os palestinos vão pedir uma atualização de seu status na Organização das Nações Unidas (ONU) no órgão mundial até o final do ano, o que lhes permitiria confrontar Israel nos tribunais internacionais, disse um alto funcionário palestino nesta quinta-feira.

O pedido para se tornar um "Estado observador" não membro, em vez de apenas uma "entidade observadora", daria aos palestinos a mesma classificação nas Nações Unidas que o Vaticano, reforçando os seus direitos legais no momento em que as negociações de paz com Israel atingiram um impasse.

Tal movimento só precisa do apoio da maioria na Assembleia Geral da ONU, de 193 nações, onde resoluções não podem ser vetadas pelo mais poderoso aliado de Israel, os Estados Unidos.

"No dia seguinte (após conseguirmos) o caráter de Estado não membro, a vida não será a mesma", disse o veterano negociador palestino Saeb Erekat, falando em seu escritório na cidade de Jericó, na Cisjordânia. "Sim, a ocupação vai continuar, os assentamentos continuarão, os crimes dos colonos podem continuar, mas haverá consequências."

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, buscou reconhecimento de Estado soberano nas Nações Unidas no ano passado. Esse pedido ambicioso tinha que passar pelo Conselho de Segurança da ONU, mas não conseguiu reunir votos suficientes diante da dura pressão dos EUA.

Abbas vai discursar na Assembleia Geral em 27 de setembro, e em seguida seus assessores consultarão outros países antes de apresentar o pedido para se tornar um Estado observador, alegando como território palestino as terras que Israel tomou na guerra de 1967, com Jerusalém Oriental como a capital.

Israel anexou Jerusalém Oriental e construiu 120 assentamentos na Cisjordânia ocupada. Atualmente há cerca de 500 mil israelenses vivendo além da chamada linha verde de 1967, originalmente uma linha de armistício e não os limites legais de um Estado palestino.

Com Reuters

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