Territórios palestinos vivem 'série crise fiscal', alerta Banco Mundial

Autoridade Nacional Palestina na Cisjordânia possui um déficit orçamentário de R$ 800 milhões e depende de uma "ação imediata" para sair de crise financeira

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O Banco Mundial alertou, nesta quarta-feira, que a Autoridade Nacional Palestina (ANP) na Cisjordânia possui um déficit orçamentário de US$ 400 milhões (R$ 800 milhões) e cobrou uma "ação imediata" de possíveis doadores para ajudar financeiramente a região.

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Homem cultiva gergelim em área da Palestina

Em seu mais recente relatório sobre a economia dos territórios autônomos palestinos, a instituição destacou que a Cisjordânia passa por uma "crescente crise fiscal" e apresenta "sinais preocupantes de redução da atividade econômica". Israel, que controla 60% da área, é apontado pelo banco como o responsável pelo fraco crescimento da região.

A divulgação do relatório ocorre em meio a protestos dos palestinos sobre o aumento do custo de vida. Na semana passada, o primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Salam Fayyad, foi obrigado a cortar o Imposto de Valor Agregado (IVA) e os preços dos combustíveis após dias seguidos de protestos e demonstrações violentas.

O presidente Mahmmoud Abbas também propôs cancelar o protocolo de Paris, de 1994, sobre a cooperação econômica com Israel.

Barreiras ao desenvolvimento

O relatório do Banco Mundial informou que as finanças da ANP têm sido afetadas por cortes de doações. Em paralelo, a região sofre com um crescimento econômico mais lento e redução de suas receitas, ao passo que enfrenta um aumento dos gastos com empréstimos, acrescentou o levantamento.

A ANP tem uma dívida estimada em US$ 2 bilhões (R$ 4 bilhões). O Banco Mundial concluiu que seriam necessários mais investimentos do setor privado para sustentar o crescimento da economia nos territórios autônomos. Entretanto, o informe disse que a situação é agravada pelas restrições israelenses, mais notavelmente no que é conhecido como "Área C" da Cisjordânia, onde se concentra a maior parte dos recursos naturais locais.

Essa região é controlada administrativa e militarmente por Israel. "Os doadores precisam agir urgentemente ante a uma crise fiscal severa para a ANP no curto prazo", afirmou Mariam Sherman, diretora do Banco Mundial para a Cisjordânia e para a Faixa de Gaza.

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Homem cultiva gergelim em território da Palestina

"Mas mesmo com esse apoio financeiro, o crescimento sustentável da economia não poderá ser atingido sem a remoção das barreiras que impedem o desenvolvimento do setor privado, especificamente na Área C", acrescentou Sherman.

O relatório foi publicado às vésperas de um encontro de doadores internacionais em Nova York, previsto para ocorrer na semana que vem.

A ANP já vinha advertindo sobre o desafio de domar seu crescente déficit orçamentário. Em vários momentos no ano passado, os salários de 150 mil funcionários públicos da Cisjordânia não foram pagos, afirmou o correspondente da BBC na Cisjordânia, Jon Donninson.

O aumento no preço da comida e dos combustíveis contribuiu para uma agitação social que tomou a região. Apesar do salário médio dos palestinos na Cisjordânia ser de cerca de US$ 20 (R$ 40) por dia, o preço dos combustíveis é similar ao cobrado na Europa. Segundo Donninson, parte da população teme que se as condições econômicas não melhorarem, a relativa estabilidade da região poderia ficar ameaçada.

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