Presidente americano rebate comentários do rival republicano, flagrado em vídeo dizendo que 47% da população do país é 'dependente do governo'

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta terça-feira que o ocupante de seu cargo deve "trabalhar para todos, não apenas para alguns", numa crítica a seu rival republicano na eleição, Mitt Romney , flagrado em um vídeo dizendo que não se preocupa com os 47% de americanos que não pagam impostos e são "dependendentes" do governo.

"Uma das coisas que aprendi como presidente é que você representa o país inteiro", disse Obama, durante entrevista ao apresentador David Letterman, da rede CBS. "Minha expectativa é de que, se você quer ser presidente, precisa trabalhar para todos, não só para alguns", acrescentou, sendo aplaudido pela plateia no estúdio.

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O presidente dos EUA, Barack Obama,C participa do programa
AP
O presidente dos EUA, Barack Obama,C participa do programa "Late Show With David Letterman" em Nova York (18/09)

O vídeo em que Romney aparece foi gravado em maio, aparentemente com uma câmera escondida, durante um evento privado de arrecadação na casa de um simpatizante milionário na Flórida. As imagens mostram Romney dizendo que 47% dos americanos vão votar em Obama de qualquer jeito, porque "acreditam que são vítimas" e "que o governo tem responsabilidade de cuidar delas". Em outro vídeo, ele disse que os palestinos "não querem a paz" e sugeriu que, se eleito, não fará grandes esforços para solucionar o conflito no Oriente Médio.

As imagens, divulgadas no site da revista esquerdista Mother Jones, representam um duro golpe para Romney, dando força à tese insistentemente repetida pela campanha democrata de que o republicano é um milionário alheio aos problemas dos americanos comuns.

Obama disse que Romney deveria pedir desculpas pela gafe, e evocou um caso da sua própria campanha de 2008, quando disse que o eleitorado branco rural só ligava para armas e religião.

"Quando você concorre a presidente, fica sob um microscópio o tempo todo. Todos nós cometemos erros. Naquele incidente de 2008, eu imediatamente disse: ‘Lamento'", afirmou. "O que acho que as pessoas querem é a certeza de que você não está apagando uma grande fatia do país."

Romney nem desmentiu nem pediu desculpas por seu comentário, dizendo que ele se referia às diferenças fundamentais entre as visões dele e de Obama sobre a economia. Dois candidatos republicanos ao Senado - Scott Brown, de Massachusetts, e Linda McMahon, de Connecticut - criticaram publicamente a declaração de Romney, e até seu vice, Paul Ryan, afirmou que a argumentação mostrada no vídeo "claramente não foi bem articulada".

Veja o vídeo polêmico de Romney (em inglês):

A última pesquisa encomendada pela rede NBC e o jornal Wall Street Journal, divulgada nesta terça-feira (18), dá uma vantagem de cinco pontos a Obama em relação a Romney.

Entre os eleitores propensos a votar, Obama obtém apoio de 50%, enquanto Romney tem 45%, segundo a pesquisa mensal realizada entre 12 e 16 de setembro.

Entre os eleitores registrados, com uma margem de erro de três pontos para mais ou para menos, o presidente ampliou sua vantagem para seis pontos, com 50% de intenção de votos, contra 44% de Romney. No mês passado, na mesma projeção de eleitores registrados, Obama obteve 48%, e Romney, 44%.

Em relação ao emprego, 50% apoia as políticas de Obama, maior porcentual desde março, apesar do índice de desemprego acima de 8% no país.

Esta é a primeira pesquisa feita pela NBC e o Wall Street Journal após as convenções dos partidos Democrata e Republicano, que parecem não ter dado um empurrão na campanha de Romney entre os eleitores indecisos.

Pela primeira vez desde julho os entrevistados não deram vantagem a Romney diante da pergunta de quem é o político mais adequado para dirigir a economia do país: ambos ficaram com 43% neste quesito.

Com Reuters, EFE e AP

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