Tribunal diz que 23 americanos se envolveram em sequestro de suspeito de terrorismo levado ao Egito para poder ser torturado

A mais alta corte criminal da Itália manteve nesta quarta-feira a condenação de 23 americanos, incluindo agentes da CIA (agência de inteligência dos EUA) pelo sequestro de um imã egípcio suspeito de terrorismo em Milão, em 2003.

Trata-se do primeiro julgamento no mundo envolvendo a prática da CIA de sequestrar suspeitos de terrorismo e levá-los para países onde a tortura é permitida. Nenhum dos 23 americanos, condenados à revelia em 2010, jamais esteve sob custódia italiana e todos podem ser presos se viajarem para a Europa.

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Autoridades judiciais disseram que o veredicto pode abrir caminho para que o governo italiano peça a extradição dos americanos. Até agora, os EUA se negaram a extraditar os homens, condenados por envolvimento no sequestro de Osama Mustafa Hassan, um islamita radical conhecido como Abu Omar.

O imã foi sequestrado numa rua de Milão em 2003, em uma operação coordenada pela CIA e pelos serviços de inteligência italianos, o SISMI. Segundo a Justiça da Itália, Abu Omar, que então gozava de asilo político no país, foi levado para a base aérea americana de Aviano (nordeste), depois para outra base na Alemanha e de lá para o Cairo, onde afirma ter sido torturado.

A operação ocorreu durante o governo de George W. Bush (2001-2009), depois dos atentados de 11 de Setembro de 2001 , dentro de um programa de interrogatório de islamitas radicais.

Entre os condenados está o ex-chefe da CIA em Milão, Robert Seldon Lady, cuja sentença original de sete anos de prisão foi elevada para nove. Os demais 22 americanos - sendo 21 agentes da CIA - foram condenados a sete anos.

Com AP e AFP

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